Felisbela Lopes

Notícias que transformam o real em ficção

Nem sempre será simples delimitar as fronteiras do jornalismo, mas é inequívoco aquilo que lá não deverá estar. Dois exemplos daquilo que os jornalistas deveriam expelir do seu trabalho: o enredo em torno do dinheiro que a cantora Maria Leal terá subtraído à fortuna herdada pelo seu ainda marido e as sucessivas cartas que Rosa Grilo, a viúva do triatleta Luís Grilo, escreve a partir da prisão. Eis dois casos sem relevância noticiosa que subitamente saltaram para o topo dos alinhamentos noticiosos num tempo em que o entretenimento volta a contaminar a informação.

Felisbela Lopes

Onde está a verdade?

Nas últimas semanas, alguns casos ressaltaram a vulnerabilidade dos jornalistas perante as suas fontes de informação. Dependente de dados de terceiros, a informação jornalística vai reconstruindo factos que podem estar substancialmente desencontrados da realidade. Em algumas situações, impressiona o grau de manipulação de que as redações são alvo. E não estamos a falar de "fake news", apenas de astutas fontes de informação que usam estratégias há muito conhecidas nos média tradicionais. Falemos aqui da nomeação da procuradora-geral da República e de tudo o que rodeia a encenação da entrega de material militar roubado em Tancos.

Felisbela Lopes

E agora Brasil?

Eis que um país, outrora chão promissor, chega domingo às urnas no meio de uma gigantesca deriva. Se as sondagens não falharem (muito), os candidatos que passam à segunda volta são conhecidos: Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Cada um deles reúne um número substancial de votantes, mas apresenta também um alto grau de rejeição do eleitorado. Os média falam já nas "eleições anti": os que votam Bolsonaro odeiam o PT, os que votam Haddad repudiam o candidato de extrema-direita.

Felisbela Lopes

O que (não) sabemos de Tancos

Por estes dias, reacende-se a noticiabilidade à volta de Tancos e, com ela, a nossa perceção de que aquilo que tem vindo a ser noticiado poderá ficar muito aquém dos acontecimentos. Fala-se de uma guerra de militares à volta da encenação montada para a devolução do armamento furtado. De quem concretamente? Porquê? No entanto, há que não esquecer também o assalto que, ao que tudo indica, terá sido feito por um ex-militar. Sozinho ou com a conivência de quem? E será que houve mesmo um assalto na data apontada?