Opinião

A força dos média nas presidenciais

A força dos média nas presidenciais

A campanha para as eleições presidenciais que começa no domingo será difícil. Com o número de infetados e de mortos por covid-19 a aumentar vertiginosamente, não será recomendável fazer circular caravanas pelo país em contacto direto com as pessoas. Neste contexto, os média tradicionais e o universo digital serão alternativas. Que não estão ao alcance de todos os candidatos.

As eleições presidenciais correm o sério risco de bater um recorde de abstenção. E, com isso, baralhar resultados. Há muitas razões para afastar os eleitores do voto: o agravamento da pandemia, um vencedor esperado, a falta de notoriedade pública de boa parte dos candidatos, a ausência de um debate mais aceso... Marcelo Rebelo de Sousa será facilmente reeleito, mas nenhuma sondagem conseguirá prever a percentagem que vai alcançar. Porque os dias que temos pela frente desenrolar-se-ão sob a marca permanente da incerteza. No resto da Europa, vários países já decretaram confinamentos severos. Ao contrário daquilo que aconteceu na primeira vaga, Portugal tarda a tomar decisões. E isso pode ter um custo. Também político.

Com os portugueses colocados à distância, os candidatos terão de socorrer-se das mediações. No universo digital, particularmente nas redes sociais, André Ventura e Marisa Matias vão atraindo seguidores e fomentando discussão. Os outros pouco mais fazem do que ir transpondo agendas e publicando vídeos. Marcelo Rebelo de Sousa ainda aí não chegou. Talvez porque acredite na popularidade que granjeou junto dos portugueses e no poder de agendamento que tem nos média tradicionais.

Faltam dois dias para o arranque da campanha eleitoral. Até agora, sobressaíram os debates televisivos que, embora sem audiências substanciais, acumularam telespectadores e marcaram o debate no espaço público. A partir de domingo, o noticiário de campanha vai intensificar-se, mas poderá ser baralhado pela evolução da pandemia, perdendo destaque e força de atração. Sem ações de rua e sem o povo, os candidatos terão pouco para mostrar, sobretudo nas televisões. Neste quadro, o discurso jornalístico assumirá um papel mais ativo na marcação da agenda. Já não serão tanto as candidaturas a promover pseudoacontecimentos, ficando as redações com margem de manobra para criarem meta-acontecimentos e, com isso, controlarem esta campanha. Depois, é preciso lembrar que nem todos cabem nos alinhamentos dos noticiários. Os mais notáveis e os mais disruptivos terão mais possibilidades de sobressair. E isso poderá redimensionar toda a comunicação política.

Professora Associada com Agregação da U. Minho

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