Opinião

Agir, já!

Perante o assinalável aumento do número de infetados, de internamentos e de mortes por covid-19, precisamos de medidas urgentes, particularmente no Norte, região que hoje apresenta um quadro crítico. O Governo tem de agir com determinação a favor da saúde de todos. Nós também.

Não é mais possível autorizar eventos que congreguem muita gente. Não interessa muito se o espaço em causa garante distanciamento físico. Algumas pessoas rapidamente o quebram, como aconteceu no Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1. Também não basta avaliar a área do recinto. É preciso, acima de tudo, perceber o que lá pode ser feito e atender aos espaços circundantes. De nada adianta, por exemplo, limitar o número de pessoas dentro dos cemitérios, se todas se juntam no exterior para a compra de flores e nos apertados espaços de estacionamento que essas zonas habitualmente têm. É necessário igualmente travar ajuntamentos como aquele que ontem se formou na Nazaré para ver ondas gigantes previamente anunciadas nas redes sociais (!).

Atendamos de modo urgente às instituições escolares, distinguindo o essencial do acessório. Se nos ensinos Básico e mesmo Secundário é preciso garantir aulas presenciais para todos, no Ensino Superior insistir nisso é adensar um problema. Em situações como a atual, as universidades devem funcionar presencialmente apenas em aulas laboratoriais. As restantes devem ser dadas à distância. Porque isso evita a deslocação diária de milhares de estudantes, impedindo ajuntamentos em anfiteatros pouco ventilados, convívios em cafés e circulação em zonas públicas.

Precisamos também de mais restrições em horário pós-laboral e aos fins de semana, propensos a situações de relaxamento. Que se perceba de uma vez por todas que estamos perto de perder o controlo desta pandemia em algumas zonas do país, sendo imperioso tomar medidas que acautelem a incapacidade de resposta dos profissionais de saúde.

Governo e autoridade sanitária têm de ser firmes nos processos de decisão e capazes de transmitir mensagens claras. Haverá sempre constitucionalistas e políticos a falarem de liberdades e garantias que certas medidas poderão limitar. No entanto, isso explica-se facilmente, se for pontual, procurar proteger a nossa saúde e evitar o colapso da nossa economia.

Entramos agora numa segunda onda. Mais dura, porque se mistura com a gripe sazonal e porque nos encontra agastados por tudo aquilo que já passámos. O tempo é de resiliência. Porque cada um de nós conta (muito!) para vencer esta dura batalha.

*Prof. Associada com Agregação da UMinho

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