Opinião

Ainda vamos a tempo de salvar a Terra?

Ainda vamos a tempo de salvar a Terra?

A Cimeira da Ação Climática, que decorre na próxima segunda-feira na sede da ONU por iniciativa do secretário-geral das Nações Unidas, terá uma mediatização à escala global.

António Guterres disse esta semana que "o que precisamos é de vontade política". Não chega. O tema tem de continuar presente no espaço mediático. Para pressionar quem gere os destinos coletivos e alterar os comportamentos individuais.

Em junho deste ano, a revista "Time" fazia capa com um António Guterres fotografado na costa de Tuvalu, na Polinésia, de fato e gravata e com a água pelos joelhos. A carga dramática dessa imagem era colossal. A publicação norte-americana e a ONU queriam provocar um efeito-choque. E conseguiram alcançar esse objetivo. Esta semana, a mesma revista volta ao tema com este título "Como a Terra sobreviveu". Num dos textos, o discurso jornalístico situa-se em 2050 e olha o planeta pelo retrovisor, vendo em 2020 um ano decisivo para travar as alterações climáticas. Aí várias coisas aconteceram. Uma mulher democrata tornou-se presidente dos EUA e, na sua tomada de posse, anunciou que o país estava, dali em diante, determinado em ultrapassar as ambiciosas metas de Paris. Em várias geografias, os governos colocaram um ponto final aos subsídios a empresas de carvão, gás e petróleo; começaram a agravar a tributação do carbono produzido; baniram os carros das cidades; alargaram os benefícios das viaturas elétricas... Finalmente todos perceberam que seria pior enfrentar um eleitorado irado do que um lóbi do carbono enfurecido... E eis como, mesmo na linha vermelha, o planeta se salvou.

Leituras diferentes fazem outros média. Esta semana, o "Courrier Internacional" coloca em capa uma carta aos futuros habitantes das Maldivas, assinada pelo consultor irlandês na ONU, Robert Templer. Na missiva, prevê-se, a curto prazo, o desaparecimento dos atois das Maldivas e um aumento substancial de refugiados climáticos. Em resumo: a Terra está afundar-se. Sem retorno.

Entre apocalípticos e integrados, haveremos de traçar um novo caminho. Aquele que temos trilhado está pejado de asneiras e não será fácil de inverter devido a estilos de vida nada sustentáveis. Olhemos, por exemplo, para o parque automóvel das universidades para perceber como os nossos jovens têm uma enorme dificuldade em deixar o carro em casa ou para as esplanadas dos cafés para entender a resistência que cada um de nós evidencia em terminar com o uso de copos e palhinhas de utilização única. Temos de parar de agredir a nossa casa comum. Porque as vítimas seremos nós.

* PROF. ASSOCIADA COM AGREGAÇÃO DA UMINHO