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Celebrar a Páscoa longe de ajuntamentos

Celebrar a Páscoa longe de ajuntamentos

Para aqueles que habitualmente aproveitam a Páscoa para umas miniférias ou para celebrações familiares, este ano o tempo deverá continuar a ser de recato, longe de ajuntamentos, de viagens, de refeições com grupos mais alargados. Todos conhecemos as consequências trágicas de um Natal festejado em família. Aquilo que fizermos nos próximos dias determinará a nossa vida até ao verão. A responsabilidade individual é colossal.

Muito pressionadas por uma opinião pública que reiteradamente lembrava a fadiga pandémica em que mergulharam os portugueses, as autoridades oficiais abrandaram as restrições em dezembro passado. Depressa passámos para o grupo de países onde a pandemia atingia os níveis de mortos e de internamentos mais elevado do Mundo. A fila de ambulâncias à porta dos hospitais será sempre uma das imagens mais violentas que guardarei deste tempo. É preciso, pois, evitar a todo o custo reabilitar esta trágica fase.

Se pensarmos bem, tudo nos empurra para fora de casa: as condições meteorológicas estão mais amenas, os atuais números da infeção atenuam o medo, as notícias de um reforço de distribuição de vacinas dão-nos esperança num futuro diferente, as famílias com filhos em idade escolar ouvem as crianças a pedir para saírem e o nosso cansaço de uma vida em clausura forçada empurra-nos para um desejável tempo de lazer... Todavia, há uma realidade que inverte este quadro: o vírus continua ativo entre nós, a população vacinada é ainda reduzida e a ameaça de uma nova vaga é significativa.

Nestes dias, há enormes restrições de circulação. As forças policiais deveriam apertar ao máximo a fiscalização. Todos nós temos de perceber que ainda não chegou o tempo de ajuntamentos. Mais do que uma decisão política assertiva no sentido de levar as pessoas a evitar uma multiplicação de contactos, é preciso uma responsabilidade individual irrepreensível. Precisamos muito de uma Páscoa prudente para garantirmos um verão mais tranquilo.

As consequências daquilo que fizermos entre hoje e domingo serão conhecidas daqui a duas semanas, precisamente quando se estiver a discutir a terceira fase do desconfinamento. Esperemos que tudo siga de acordo com o previsto. Se houver necessidade de recuos drásticos, a responsabilidade é apenas nossa. Ao contrário do Natal, desta vez as medidas foram tomadas a tempo e no sentido de se evitar uma nova vaga. Falta apenas o mais importante: que todos cumpram o que está fixado.

Professora Associada com Agregação da U.Minho

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