PRAÇA DA LIBERDADE

Celebrar o Natal

Não poderá ser um Natal de agitação nas ruas, de frenesim nos centros comerciais, de embrulhos espalhafatosos, de corridas para jantares antes da noite de uma consoada a abarrotar de comida... Este ano, uma avassaladora pandemia impõe outras regras. Que devem ser rapidamente definidas e cumpridas de modo escrupuloso.

A Organização Mundial de Saúde já falou da possibilidade de haver uma terceira vaga no início de 2021 e, em comunicado, o departamento europeu veio recomendar que os encontros se façam em espaços exteriores. O subdiretor-geral da Saúde português sugeriu mesmo pequenas confraternizações no quintal ou em patamares de prédios. Nada disso são conselhos úteis. Pelas severas condições meteorológicas desta altura do ano e porque haverá pouca gente a querer festejar o Natal no vão de escada ou nas traseiras da casa. Também não compete às autoridades sanitárias guiar-nos nos presentes a oferecer, não sendo, por isso, sensato avançar com sugestões de compotas ou outras receitas caseiras...

Das autoridades políticas e sanitárias exigem-se decisões céleres e eficazes para conter a disseminação de uma doença que continua a assustar pelo elevado número de internamentos e, sobretudo, de mortes. A nível político, Portugal é um dos países mais bem-sucedidos durante a primeira vaga. Todavia, nesta segunda vaga, o Governo tem somado erros que não pode replicar agora. Da Direção-Geral da Saúde tem saído uma comunicação titubeante, que passa muitas vezes ao lado do essencial.

Nos próximos dias, a par da fixação de medidas que contenham a mobilidade das pessoas, é preciso passar esta mensagem: o vírus continua muito ativo e nós só conseguiremos evitar uma terceira vaga travando a fundo os festejos desta altura do ano. Não é possível confraternizar com os nossos amigos e colegas de trabalho, não devemos cruzar famílias em dias consecutivos, nem tão-pouco podemos ser muitos à mesa da consoada. Será um Natal muito diferente, porque este é um tempo particular. Nunca vivemos uma pandemia assim à escala mundial e isso implica uma mudança abrupta de vida. E uma contenção das festas.

Poderá ser duro planear o Natal de modo diferente, mas será mais angustiante ficar doente. Daqui a uma semana, estarei aqui com o Natal já para trás. Hoje deixo o desafio de ensaiar outras formas de trazer as pessoas de quem mais gostamos para perto de nós. Não será muito difícil, porque algumas delas nunca saem do nosso coração. Saúde para todos neste Natal!

*Prof. Associada com Agregação da UMinho

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