Opinião

Comunicar (bem) o desconfinamento

Comunicar (bem) o desconfinamento

À hora a que escrevo este texto, o primeiro-ministro ainda não anunciou o modo como o país vai desconfinar. Entramos, pois, num tempo decisivo. Aquilo que acontecerá nos próximos meses resultará do que fizermos a partir de agora. E isso dependerá das decisões políticas e do modo como as medidas serão comunicadas. A adesão das pessoas a isso será uma consequência disso.

Ao longo deste ano, houve três fases na comunicação da pandemia. A primeira, que começou em março de 2020 e nos levou até ao verão, foi proativa e incisiva, ainda que a Direção Geral da Saúde tivesse iniciado o processo com conferências de imprensa para falar de casos suspeitos, que não se confirmariam depois. No entanto, acertou-se o passo. Os média noticiosos foram um elemento central na orientação dos cidadãos para comportamentos de prevenção. Com a saída do verão, dispersou-se a mensagem e as redações abandonaram uma tematização centrada na pandemia. E lá fomos nós até ao Natal, julgando que estaria para perto uma vacinação rápida e miraculosa. As consequências de termos baixado a guarda são conhecidas. A partir de 15 de janeiro, adotámos medidas severas. O primeiro-ministro chamou a si a comunicação com o país, como sempre fez em momentos delicados. Os media intensificaram outra vez os alinhamentos em torno da pandemia, acentuando o ângulo da gravidade. O país depressa controlou os números de infeção, mas o balanço desta fase será feito com base no que acontecerá nas próximas semanas.

Precisamos de medidas assertivas, mas também de precaução. O país que vai desconfinar tem de saber o que há para fazer. E isso assenta em eficazes estratégias de comunicação. Se o processo vai ser faseado, o primeiro-ministro deve centrar em si a comunicação com os cidadãos em momentos prévios a cada fase, explicando claramente as medidas a adotar. Neste contexto, o Governo precisa de uma articulação eficiente para evitar que os governantes cedam à tentação de falar uns por cima dos outros. Também a Direção Geral da Saúde e demais interlocutores a si ligados devem estar coordenados com o plano definido, assim como as task forces que têm vindo a ser criadas...

Neste tempo, multiplicar-se-ão os interlocutores a falar de desconfinamento: partidos políticos, sindicatos, associações, comentadores... Nos media tradicionais e nas redes sociais, o caudal de mensagens será imparável. Há, pois, de controlar essa torrente com informação certa e isso deverá ser feito a partir do Governo. Com uma estratégia de comunicação em saúde bem afinada para travar entropias incontroláveis que nos poderão levar facilmente a uma quarta vaga.

Prof. Associada com Agregação da UMinho

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