Opinião

Confinar mais e comunicar melhor

Confinar mais e comunicar melhor

Não estamos a travar a segunda onda desta pandemia. Porque continuamos a circular muito e a ter demasiados contactos. Precisamos de medidas de restrição mais apertadas e consistentes. Precisamos também de comunicar melhor, orientando mais as pessoas para comportamentos de prevenção.

O "Jornal de Notícias" noticiava ontem que, a partir das 23 horas, quase a totalidade dos portugueses permanece em casa. Em contrapartida, durante o dia, mais de três quartos das pessoas continuam a circular. Atingir-se-iam níveis superiores de confinamento se os jovens não saíssem tanto de casa. É preciso, pois, repensar com urgência a continuidade das aulas presenciais no terceiro ciclo e, acima de tudo, no Ensino Superior. Insistir no ensino presencial para todos os cursos e para todas as disciplinas apenas acentua um problema que o Governo quer combater: a circulação das pessoas e o número de contactos entre elas. Há disciplinas que podem, neste contexto, voltar ao ensino remoto até ao Natal, dando mais espaço às unidades curriculares laboratoriais. Hoje, nas universidades portuguesas, temos cursos com aulas em anfiteatros por onde passam largas dezenas de estudantes que, durante o dia, circulam por vários espaços públicos. É preciso, pois, medidas urgentes a esse nível.

A comunicação é outro problema. Ao contrário do anúncio do estado de emergência decretado a 18 de março de 2020, desta vez tal decisão não provocou tanto impacto e aceitação. Não adianta agora afirmar-se que teria sido necessário criar outro enquadramento para essa declaração. Importa antes lembrar que o Governo não pode perder-se nas exceções ou nas alternativas discutidas. É preciso comunicar decisões, explicar as respetivas razões e esclarecer bem a sua aplicação. Portugal regista mais mortes, mais infetados e mais hospitais perto da rutura. É preciso agir depressa.

A Direção-Geral da Saúde precisa também de renovar o modo como comunica. Este não é o tempo de terminar com as conferências de Imprensa. Pelo contrário. No entanto, os promotores desses encontros diários com os jornalistas não necessitam de debitar números. Forneçam-se esses dados em suporte documental e aproveite-se o tempo para explicar o que está a acontecer e orientar a população para comportamentos preventivos.

Há muito ruído no espaço público, atirando-se a informação essencial para um espaço rarefeito que apaga a mensagem central. Fomos bem-sucedidos na primeira vaga. Não podemos falhar agora, quando tudo se agrava.

*Prof. Associada com Agregação da UMinho

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