Opinião

17 votos para 2017

1Um jornalismo diversificado e de qualidade. Integrando um ecossistema de conteúdos tradicionalmente gratuitos, a informação jornalística mergulha numa crise que lhe subtrai capacidade para se renovar. Precisamos de outros temas e interlocutores. E de cidadãos que paguem a informação que consomem.

2. Um PR próximo, ativo na frente diplomática e com uma agenda menos acelerada. Marcelo Rebelo de Sousa reconfigurou o lugar do presidente da República. Tornou-o mais interventivo, menos protocolar, mais cúmplice dos portugueses, menos bolorento. No entanto, também o agita em demasiado. Não precisa de ir a todos os lados.

3. Um Governo que continue a garantir alguma estabilidade e progresso a um país cansado da austeridade. O próximo ano será mais difícil para António Costa e mais árduo de gerir para o ministro das Finanças. Dobrar 2017 é levar a geringonça para lá de qualquer inimaginável Cabo da Boa Esperança.

4. Uma campanha autárquica com mais accountability. Em ano de eleições locais, os autarcas vão fazer grandes investimentos para agradar aos seus munícipes. Seria bom que prestassem também contas do que (não) fizeram.

5. Um sistema bancário com menos convulsões. A economia só pode aspirar a funcionar bem com um sistema financeiro saudável. Foram dados passos importantes em 2016, mas há ainda que recuperar danos ligados à reputação.

6. Um país menos assimétrico. Portugal é um território de pequena dimensão, mas profundamente desigual. É preciso descentralizar mais e investir em regiões mais periféricas.

7. Uma rede pré-escolar mais extensa e adaptada aos pais. Excelente a ideia de António Costa em gravar a mensagem de Natal num jardim de infância, mas agora é necessário ser consistente com a simbologia natalícia, atendendo de forma particular aos horários das creches. Que devem deixar um padrão horário anacrónico.

8. Uma justiça mais célere. Os casos mediáticos dos últimos tempos, que se arrastam entre detenções e saídas da prisão, parecem tornar a justiça pouco justa.

9. Um país que seja também para os mais velhos. A terceira idade está praticamente excluída do centro das políticas públicas. É preciso reverter esta tendência.

10. Um sistema nacional de saúde com menos entropias. Urgências hospitalares menos caóticas, mais médicos e enfermeiros no SNS, listas de espera mais curtas para primeiras consultas e cirurgias, uma gestão hospitalar a pensar mais nas pessoas e menos nas poupanças...

11. Uma condenação generalizada das praxes académicas. As universidades e politécnicos não têm conseguido erradicar estes vergonhosos rituais. Em 2017, será de vez?

12. Um presidente dos EUA capaz de nos surpreender positivamente. Donald Trump toma posse a 20 de janeiro e, a partir daí, tudo pode acontecer. Rússia, China e Israel serão provas de fogo de consequências críticas no plano internacional. Nas temáticas, defesa, economia, ambiente e segurança interna merecerão escrutínio máximo.

13. Um futuro para a Síria. Que deixe de ser olhado como um palco onde se esgrimem os jogos de guerra das potências internacionais, recuperando o estatuto de terra com identidade e com um povo que merece viver em paz.

14. Uma Europa mais unida. Nos primeiros meses, o Brexit promete uma agitação das águas que se agravará com as eleições na Holanda, em França e na Alemanha. Porque há uma frente de extrema-direita à espreita.

15. Um Brasil menos corrupto. Depois da destituição de Dilma, Temer tem sido incapaz de restituir qualquer equilíbrio a um país em agonia. Financeira, económica, social, ética, de valores. O processo Lava Jato ameaça arrasar a paisagem política do país.

16. Um centenário das aparições marcante. O Papa Jorge Bergoglio estará em Portugal a 12 e 13 de maio. É o quarto Papa a visitar Fátima. Esperam-se aí oito milhões de visitantes numa peregrinação que será memorável para Francisco.

17. Um ano de reinvenção. Num Mundo cada vez mais agitado, torna-se difícil emergir da espuma do quotidiano e focar no essencial. Esse é o desafio dos nossos tempos, aquilo que cada um de nós deve procurar. O espaço vital na família, entre os amigos, na profissão, na sociedade. Parece fácil, mas... Bom ano!

PROF. ASSOCIADA COM AGREGAÇÃO DA UMINHO