Opinião

As mochilas que perdem peso na universidade

As mochilas que perdem peso na universidade

Desde o 1.º ano até ao 12.º ano, os alunos carregam diariamente para a escola uma pesada mochila, com livros, dossiers e bem recheados estojos. Chegados à universidade e libertos das exigências de material, os estudantes entram, por vezes, nas salas de aula apenas com um telemóvel na mão, sem trazerem consigo hábitos para tomar notas daquilo que ali se passa. Há qualquer coisa que não está a funcionar como deveria...

Todos os anos os especialistas repetem o mesmo alerta: as crianças transportam peso a mais na mochila e isso tem um enorme impacto na sua saúde. O problema resolver-se-ia facilmente, instalando cacifos nas escolas ou atribuindo uma sala fixa a cada turma... Muitos colégios adotam este último procedimento, poupando aos mais novos o peso diário de carregarem alguns quilos a mais na sua mochila. Esta opção obriga a uma gestão diferente daquilo que se leva para casa. Claro que, um dia ou outro, falha um livro para estudar ou um outro para exercícios, mas globalmente esta metodologia funciona bem, promovendo a saúde e a mobilidade dos mais novos.

No entanto, há mais dois problemas para resolver: o excesso de material e a aprendizagem limitada ao nível dos apontamentos daquilo que se passa na sala de aula. No início de cada ano letivo, os encarregados de educação são confrontados com uma vasta aquisição de livros, cadernos, dossiers, material de desenho e afins... Para além de aumentar despesa (aos pais e ao Estado no caso dos manuais gratuitos), esta multiplicação de material dispersa os alunos. Por exemplo: será mesmo necessário haver um manual e um livro de fichas para cada disciplina? Não seria mais prático, e menos dispendioso, existir apenas um livro que incorporasse conteúdos novos e os respetivos exercícios?

No Ensino Superior, os estudantes não têm material para adquirir previamente. A bibliografia vai sendo fornecida ao longo do semestre e, normalmente, a respetiva leitura faz-se em modo digital ou em consulta ao acervo em papel das bibliotecas. Perante tamanha liberdade, são cada vez mais os alunos que chegam à sala de aula apenas com o telemóvel na mão e nada ou pouco escrevem acerca daquilo que aí vai sendo discutido. Há também um número significativo de estudantes que, munidos de um caderno ou de um computador, evidencia uma nítida dificuldade em acompanhar o ritmo daquelas aulas. Essa deriva significa que para trás não se investiu em algo essencial: aprender a aprender. E a universidade nem sempre corrige essa enorme lacuna na formação dos alunos.

*PROF. ASSOCIADA COM AGREGAÇÃO DA UMINHO