Opinião

Centrem-se na Europa e falem com os portugueses

Centrem-se na Europa e falem com os portugueses

Faltam três semanas para as eleições europeias. Este será um dos escrutínios mais importantes de sempre.

Há um populismo à espreita que, a partir de 26 de maio, pode ganhar mais fôlego e, desse modo, constituir um perigo para a coesão de uma União Europeia que vem evidenciado enormes debilidades. Precisamos de políticos bem preparados para tempos novos. E de campanhas mais atrativas para os eleitores.

Em período pré-eleitoral, todos têm evitado correr riscos. Naquilo que dizem e naquilo que mostram. Em termos visuais, não há cartazes criativos e com propostas de valor. Passamos por eles e quase não os vemos de tão banais que são numa paisagem que, no nosso país, é demasiado ruidosa no que aos outdoors diz respeito, principalmente em contexto urbano. Também os debates se apresentam em registo trivial. Anteontem, na SIC, quase todos os candidatos falaram entre eles e esqueceram-se de que havia um país à espera de ouvir o que tinham a dizer sobre a Europa. Cada um a seu modo, muitas vezes desajeitado, tentou atirar o adversário ao tapete, nem dando conta de que estava também a estatelar-se naquilo que se converteria facilmente no ringue de boxe, se não fosse a cuidada gestão da palavra do jornalista Bento Rodrigues. O debate tinha como tema as eleições europeias, mas isso pouco foi discutido. Referiram-se os nomes de António Costa, de José Sócrates, de Passos Coelho e até de... Bolsonaro! Poder-se-ia ter falado da Itália de Mateo Salvini; da França de Emmanuel Macron e de Marine Le Pen; ou da Alemanha que, dentro de pouco tempo, vai dizer adeus à senhora Merkel... E de Portugal num contexto de crescente fragmentação europeia.

Nos próximos dias, a campanha vai acelerar. Espera-se que não haja cansativas caravanas a arrastarem-se pelo país real que muitos candidatos desconhecem. Há um desafio para vencer: combater a abstenção eleitoral. E isso faz-se com trabalho de proximidade junto dos cidadãos. Os partidos precisam de estar mais perto dos jovens para quem os partidos tradicionais nada significam, dos idosos que se cansaram de promessas por cumprir e dos cidadãos em idade ativa que deixaram de acreditar na força do voto. Cada lista necessita de estratégias estratificadas, que atinjam grupos diversos em momentos diferentes.

Estamos num limiar de um tempo novo. Os políticos ganhariam muito se aceitassem o desafio de fazer uma campanha que se mova pelas pessoas e não pelos caciques que tanto têm desgastado os partidos tradicionais.

*Professora Associada com Agregação da Universidade do Minho