Opinião

G20 e as lideranças mundiais em cena

G20 e as lideranças mundiais em cena

Hoje e amanhã, os média noticiosos vão acompanhar a cimeira do G20 que decorre em Osaka, no Japão.

A agenda dos trabalhos é considerada ambiciosa. E, consequentemente, incerta. Um dos tópicos em cima da mesa, ao qual os jornalistas têm prestado particular atenção, é a guerra comercial entre os EUA e a China. Que poderá ter um enorme impacto na economia mundial.

"O combate do século". É este o título de capa do "Courrier International" onde se veem dois galos a representar Donald Trump e Xi Jinping. No interior, artigos de jornais americanos e chineses convergem na ideia de que haverá perdas para todos em caso de confronto musculado entre as duas superpotências, uma já instalada e outra emergente. "The Wall Street Journal" pergunta se o divórcio é mesmo inevitável. Parece. Do lado dos EUA, assegura-se que a China tem uma campanha de espionagem em curso que convém monitorizar em permanência. E isso implica a criação de intransponíveis barreiras.

Para o "South China Morning Post", esta guerra não terá vencedores, na medida em que, numa economia mundial integrada, os dois países tornam-se inevitavelmente vulneráveis. O mesmo jornal chinês adiantava ontem que Trump e Xi preparam-se para anunciar uma trégua por seis meses, ou seja, vão empurrar o problema com a barriga. Isto não significa uma ausência de estratégias. A revista "The Spectator" assegurava que Trump quer restringir o crescimento tecnológico da China, reduzir a dependência económica dos EUA em relação àquele país, fortalecer a influência americana noutras geografias asiáticas e melhorar as suas capacidades ofensivas da política geoestratégica.

No entanto, nada disto será visível em Osaka. Os encontros serão feitos de sorrisos para as câmaras e para os mercados financeiros. O presidente norte-americano terá particular prudência, principalmente quando se encontrar com os seus homólogos da China e da Rússia. Porque é preciso não esquecer que há uma pré-campanha eleitoral em curso.

Numa grande entrevista à revista "Time" promovida pela Casa Branca, Donald Trump reconhece, esta semana, que a sua vida tem sido baseada em apostas. Que se fazem por instinto, como também admite. No entanto, como o presidente dos EUA sabe, é preciso gerir bem o poder que, no seu caso, se transformou numa marca agressiva que se dá a ver em forma de espetáculo. E que se quer vencedora na corrida de 2020.

*PROF. ASSOCIADA COM AGREGAÇÃO DA UMINHO