Opinião

O que fazem os jovens com os telemóveis?

O que fazem os jovens com os telemóveis?

Em tempo de férias, os mais novos tendem a manter-se desligados da vida familiar, conectando-se em permanência com o seu smartphone que os liga a múltiplas realidades. Esse mundo virtual é hoje uma tendência impossível de parar, encontrando-se aí inegáveis potencialidades, mas também enormes riscos.

Os telemóveis passaram a ser uma extensão do corpo, sobretudo para os jovens, que vivem horas a fio em lugares distintos daqueles que os seus corpos ocupam, num mundo que se abre entre as suas mãos através de equipamentos sofisticados que as crianças ostentam desde muito cedo. E que lhes molda modos de consumo e determina formas de estar.

Esqueçam o recato do tempo de descanso. Havendo uma conta de Instagram para alimentar, os mais novos encarregar-se-ão de publicitar aquilo que vai sendo feito através de fotografias publicadas com regularidade. Esqueçam também as conversas em família. Plataformas como o WhatsApp, WeChat, Viber ou Snapchat envolvem os mais novos em diálogos contínuos feitos de palavras soltas e expressivos pictogramas com quem ali não está, destruindo qualquer fio condutor de um diálogo presencial. Hoje, fala-se pouco com quem se partilha uma casa, mas conversa-se muito com quem não está ali.

Paralelamente a usos benignos, a permanente conexão com universos virtuais transporta enormes perigos. Com um telemóvel ligado à Internet, uma criança pode aceder a conteúdos inapropriados para a sua idade; pode também ligar-se a desconhecidos, nomeadamente a gente com perfis falsos que anda pelas redes sociais à procura de interlocutores que possam desencaminhar...

Ao oferecer um smartphone aos seus filhos, os pais têm hoje a obrigação de dialogar com eles sobre os usos que tais equipamentos potenciam. Não para traçar linhas vermelhas (frequentemente desconhecidas de pais e filhos), mas para fazer um caminho conjunto através do qual se construam filtros e rotinas de segurança. Se num passado recente todos aprendemos a lidar com tecnologias que foram surgindo, como a televisão, seria normal fazer idêntica aprendizagem com telemóveis que nos ligam a um mundo digital de infinitas realidades.

Hoje um telemóvel permite que pais e filhos estejam contactáveis, que seja possível acompanhar e rastrear uma viagem de Uber, que o jovem em Erasmus possa matar saudades da família por videochamada, como se estivesse ali ao lado... E tem uma pequena grande vantagem: pode ser desligado ou deixado na gaveta durante um jantar de família ou uma ida à praia. É tudo uma questão de adaptação. E de vontade.

Prof. Associada com Agregação da U. Minho