Opinião

Lições que levo para 2022

Lições que levo para 2022

Ser resiliente. Este foi um ano adiado. Acreditamos muito que, por esta altura, estaríamos mais libertos de um vírus que pesou demasiado na nossa vida. E não estamos. Se pensarmos bem, foi assim que vivemos 2021. À espera de melhores dias, confrontando-nos em permanência com um quotidiano que não queríamos viver. E vivemos. E isso tornou-nos certamente mais resistentes à adversidade.

Trabalhar (ainda mais) depressa. Quem tem uma atividade profissional relacionada com o campo do jornalismo incorpora em si a pressão do tempo. E estende esse ritmo muitas vezes frenético ao dia a dia. Ora, este ano, aprendi a acelerar mais. Por necessidade. De repente, o dia ficou apertado entre as 8.30 h e as 16.30 h, horário em que o meu filho permanecia na escola. Fora dessa linha de tempo, por causa da pandemia, não havia boleias a pedir, nem passagens por outras casas a servir de apoio para que o meu trabalho ganhasse mais horas. E lá consegui fazer tudo. Mais depressa e em horários dilatados pela noite adentro.

Valorizar o que está próximo. Este não foi o tempo das grandes viagens e dos grandes convívios. Foi antes a oportunidade de fazer caminhadas perto de casa e promover pequenos encontros em esplanadas. E lá andei mais a pé e conversei mais com pessoas que conhecia menos e que tão próximas estão.

Relativizar a importância do que acontece. Habituada a ponderar bastante tudo, sinto sempre dificuldade em ganhar distância para ver em perspetiva certas coisas. Esta semana, por questões de trabalho, estou a recuperar os números de infetados desde março de 2020 até hoje. A 1 de abril de 2020, registaram-se 783 casos positivos e o país estava fechado em casa; a 15 de janeiro de 2021, houve 10 947 casos e o país regressou a um confinamento severo; hoje os números apresentam-se numa escala impensável e nós vamos aprendendo a lidar com esta situação. É verdade estamos vacinados e os casos são menos graves, mas também é um facto que ganhamos outro olhar sobre o problema.

Ser positiva. Encontrando na comunicação da saúde parte da investigação académica que desenvolvo e acompanhando em permanência a atualidade noticiosa, tem sido para mim difícil desligar do tema covid-19. Mas encontrei um modo de me defender desta hecatombe, pensando sempre como a ciência nos salva e como pessoas boas nos abrem tanto caminho. E isso nunca faltou neste tempo: conhecimento científico, por um lado; e gestos de grande solidariedade, por outro.

É assim, munida destas lições, que atravessarei o ano, acreditando que o melhor está para vir. Bom ano!

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*Prof. associada com Agregação da UMinho

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