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Mensagens contraditórias

Mensagens contraditórias

A ministra da Saúde tem repetido que dezembro poderá trazer um aumento substancial do número de infetados por SARS-CoV-2. Nos últimos dias, assistimos a um preocupante crescimento de ocupação de camas nas Unidades de Cuidados Intensivos.

Acendem-se vários sinais vermelhos enquanto o espaço público mediático se enche de ruídos diversos. Precisamos muito de regressar ao essencial que importa reter.

Nos próximos dois fins de semana, teremos tolerância de ponto, com consequências pesadas para a economia. Sem o confinamento severo adotado por outros países, Portugal encontrou nesta solução um modo de estancar a mobilidade das pessoas. O apelo é claro, embora a mensagem não tenha conseguido ganhar forma: fique em casa nestes dias e evite contactos sociais. No entanto, o propósito de evitar deslocações e ajuntamentos será toldado pelo Congresso do PCP. A partir de hoje até domingo, os média noticiosos não terão assim tanto interesse no que será discutido em Loures, mas irão fixar todos os ângulos na iniciativa em si. Em tempo de restrições, mostrar-se-á um conjunto de pessoas juntas num pavilhão, quando essa reunião seria facilmente transponível para outra data ou formato remoto.

Outro ponto alvo de profundas contradições relaciona-se com o uso da máscara. Depois da própria Organização Mundial de Saúde ter ziguezagueado no aconselhamento dessa forma de proteção individual, o consenso impôs-se. Mas não em todos os contextos. Com muita frequência, vemos personalidades públicas em espaços fechados a tirarem a máscara quando têm de fazer uma intervenção. Poder-se-ia aqui dar o exemplo da Assembleia da República, mas olhemos para o Parlamento britânico para a nossa perplexidade ser ainda maior. Os deputados não tiram a máscara para falar. Simplesmente apresentam-se ali sentados sem essa proteção individual!

As redes sociais também se enchem de informação contraditória. Todos pensam ter coisas relevantes a dizer. E o caudal ruidoso vai assim avolumando-se. Neste contexto, o jornalismo ganha uma colossal relevância. Hoje mais do que nunca, precisamos de uma informação rigorosa, centrada no essencial e ancorada em fontes detentoras de informação importante. Nos últimos tempos, as vozes oficiais perderam espaço a favor dos especialistas. E o jornalismo ganhou qualidade, convertendo-se num eficaz meio de combate à covid-19. É desse jornalismo que precisamos hoje. Muito. Porque nos faltam referências no espaço público por onde todos circulamos.

Professora Associada com Agregação da Universidade do Minho

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