Opinião

Não preciso de um dia de reflexão

Não preciso de um dia de reflexão

A campanha eleitoral não foi efusiva, nem conseguiu inovar na forma e no conteúdo. Como habitual, as equipas de reportagem que acompanharam as caravanas continuaram a ser o principal ponto de referência dos candidatos.

Amanhã, é dia de reflexão. Por isso, os partidos e os media noticiosos permanecerão em silêncio. Não faz sentido. Porque a informação continua a circular em diversas plataformas e porque os cidadãos não são esponjas que absorvam acriticamente as mensagens.

Aos diários portugueses, juntam-se hoje os semanários que saem ao sábado. Em contextos eleitorais, antecipam as edições, porque assim podem publicar peças sobre a campanha e até mesmo apresentar sondagens. Saem hoje, mas grande parte dos leitores fará a sua leitura amanhã. Em termos práticos, o dia de reflexão não tem relevância para os leitores desses jornais. É assim há muitos anos e ninguém pode fazer nada, pois esses títulos cumprem a lei. Neste contexto, ficam prejudicados os diários que se veem impedidos de editar peças sobre o tema, sob pena de incorrerem numa multa. Ora fará isso sentido?

Inseridos num novo ambiente comunicacional, os cidadãos não precisam das edições impressas em papel, nem dos alinhamentos das rádios e das televisões para obter a informação de que necessitam. Basta abrir os sites dos media noticiosos para aí encontrar relatos jornalísticos, vídeos, fotografias e muita análise daquilo que se passou ao longo dos últimos dias. Como se percebe, de nada adianta silenciar os meios tradicionais de informação, porque há agora uma rede de acesso permanente àquilo que se faz.

Também as redes sociais revolucionam qualquer barreira temporal que se procure impor. Os conteúdos das contas dos partidos e as publicações de milhares de militantes que por estes dias andaram em campanha continuam acessíveis e a reposicionarem-se mediante os gostos que vão obtendo daqueles que leem o que é aí publicado.

Em dia de reflexão, a campanha está por todos os lados. Será sensato impor aos partidos o fim da campanha um dia antes das eleições. Todos sabemos que as caravanas apostam tudo nos comícios finais e não seria adequado isso acontecer poucas horas antes do início do ato eleitoral. No entanto, o mesmo raciocínio não se aplica à informação jornalística. Não faz sentido determinar o mesmo silêncio aos media noticiosos. Porque a informação está acessível em vários sítios. E porque as mensagens políticas não são uma espécie de balas mágicas que mudam automaticamente o nosso sentido de voto.

Prof. Associada com Agregação da U. Minho

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