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O que trazemos de 2020

O que trazemos de 2020

Neste primeiro dia de 2021, acreditamos ter pela frente um ano em que recuperaremos saúde, rendimentos e estilos de vida.

No entanto, ainda faltam alguns meses para começar a construir uma nova normalidade. Que carregará sempre aquilo que foi 2020. Nem tudo terá sido negativo. Eis o que trouxe comigo do ano anterior.

Resiliência. Viver 10 meses esmagados por constrangimentos de vária ordem é duro. Mas lá fomos ultrapassando dificuldades, desânimos, medos.... Aproveitamos o verão para respirar mais ao ar livre e os intervalos do recolher obrigatório para recuperar algum fôlego. E fomos aprendendo que podemos sempre resistir por entre os interstícios de uma pandemia que mudou subitamente as nossas vidas.

Reorganização de tempos e espaços. De repente, o dia não chega para tudo, porque nele há que acomodar as obrigações profissionais, o apoio escolar aos filhos, as tarefas domésticas, os telefonemas aos familiares mais isolados... Cada noite cai com o peso de uma infinidade de coisas por fazer. E a nossa casa, cuja privacidade tanto preservamos, tem sempre janelas abertas em videochamadas que trazem múltiplos contextos externos para o recato do lar. No entanto, essa azáfama, percebemos melhor agora, contribuiu muito para que nos sentíssemos sempre mais acompanhados.

Descoberta de novos pontos de encontro. Nestes meses, passei grande parte do tempo em casa. Aí dei aulas, participei em reuniões, fiz conferências, realizei diretos televisivos. Também conversei muito com familiares e amigos. O meu filho aprendeu a trabalhar com o computador, que se constitui como base para as aulas, para os trabalhos escolares e para falar com os amigos. De repente, as crianças aprenderam sozinhas a partilhar ecrãs e reinventaram de forma criativa os recreios. Os laços, que poderiam ter sido interrompidos em março, intensificaram-se. Na verdade, não há barreiras quando queremos estar ligados uns aos outros.

A importância daqueles que nunca saem do nosso coração. Atravessamos um tempo de distanciamento físico, mas aí compreendemos melhor quem nos faz realmente falta e quem escolhe sempre o melhor de nós para aconchego do melhor de si. Nestes meses, procurei mais do que nunca saber como estão aqueles que me são próximos. No tempo em que eu própria fiquei em isolamento profilático, percebi que nunca estamos sozinhos, principalmente na adversidade. E essa consciência estará sempre comigo como o melhor legado que o terrível ano de 2020 me entregou. Um excelente 2021 para todos!

*Prof. Associada com Agregação da UMinho

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