Opinião

Uma árdua campanha presidencial

Uma árdua campanha presidencial

Não serão fáceis estas eleições presidenciais. Marcelo Rebelo de Sousa ver-se-á distanciado da política de afetos que tanto aprecia.

Os outros candidatos terão sérias dificuldades em conquistar palcos de debate e um lugar relevante no espaço público (mediático) por onde circulam outras inquietações. Hoje, os portugueses estão mais preocupados com a pandemia. Que poderá entrar numa terceira vaga em janeiro e baralhar ainda mais os resultados.

Por estes dias, os média noticiosos têm priorizado a vacinação em várias declinações. Sabemos que há vacinas em fabrico e um plano em progresso para o nosso país. Tudo será concretizado a partir de janeiro e aí o debate público será mais intenso. Também nas próximas semanas se desenhará muito daquilo que acontecerá em 2021 no que à pandemia diz respeito. Nada sabemos acerca da decisão dos portugueses quando estiverem em causa refeições de Natal com amigos ou quando promoverem encontros para a ceia natalícia ou para as festas de passagem de ano. Presidência da República, Governo e Parlamento aliviaram as restrições, mas apelaram à maturidade cívica dos cidadãos. Em janeiro, será feito o balanço. É precisamente esse o tempo marcado para a campanha eleitoral. Que absorverá tudo o que estiver na ordem do dia.

Janeiro costuma ser também o mês em que a gripe sazonal atinge o seu pico e rebenta com a capacidade de resposta das urgências hospitalares. Este ano, o vírus gripal tem estado menos ativo, porque cada um tem adotado apertadas medidas de proteção. Todavia, desconhecemos a curva epidemiológica que será desenhada nas primeiras semanas do ano...

Neste momento, sabemos isto: os candidatos presidenciais não encontrarão na rua, nem no contacto com o cidadão comum espaço propício para a sua campanha. Isso retira-lhes uma encenação de que os média, particularmente as televisões, tanto precisam. Assim, haverá menos destaque dado a estas caravanas eleitorais que, desta vez, encontrarão muitos obstáculos para visitar o chamado país real. Marcelo Rebelo de Sousa já falou na possibilidade de participar em debates com cada candidato. Mas isso não atrai audiências e as televisões terão isso em conta, quando decidirem horários de emissão.

Marcelo não valorizará estes contratempos, porque continua a ter outros palcos de atuação e visibilidade. Se o país entrar numa nova onda pandémica, a campanha trava a fundo, mas o presidente da República terá sempre espaço de intervenção. E isso também conta (muito). Não se desvalorize, porém, o que os outros candidatos farão no universo digital. Disso falaremos noutra crónica.

*Prof. Associada com Agregação da UMinho

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