Opinião

A sinodalidade é um bom caminho

A sinodalidade é um bom caminho

A sinodalidade pode mudar a face da Igreja, transformando o exercício da autoridade no seu interior. O Papa Francisco tem-na proposto e pedido em diferentes contextos.

Este fim de semana, pediu, de viva-voz, aos superiores gerais das congregações religiosas reunidos em Roma, "que o serviço da autoridade seja sempre exercido em estilo sinodal, respeitando o direito próprio e as mediações que ele oferece, para evitar o autoritarismo, os privilégios e o "deixar pra lá"; favorecendo um clima de escuta, respeito pelos outros, diálogo, participação e partilha".

Aos dirigentes dos diferentes organismos da Ação Católica, também reunidos em Roma este fim de semana, o Papa pediu que fossem "homens e mulheres de escuta". Que "não sejam "dirigentes" de escritório, de papéis ou de zoom, e que não caiam na tentação do estruturalismo institucional que planeia e organiza com base em estatutos, regulamentos e propostas herdadas" - mas que escutem, em particular os "que estão fora".

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Graças à dinâmica sinodal que o Papa quer implementar na Igreja, alguma coisa se tem feito na Igreja para ouvir a todos, até os que estão fora dela. Contudo, ouvir não basta. É preciso escutar. Por isso o Papa insiste e pede que se escute.

Escutar implica abertura ao outro, aos seus argumentos, não se enquistar logo na defensiva. Implica refletir sobre os seus contributos e, na perspetiva crente, discernir, a partir deles, o que o Espírito Santo pede à Igreja em cada momento concreto da sua história.

Foram muitos os séculos em que alguns mandavam e outros se limitavam a acatar as ordens recebidas do alto. Os fiéis leigos acomodaram-se e remeteram-se à passividade - ou abandonaram a Igreja. Agora será necessário algum tempo para mudar as mentalidades, de uns e outros. A sinodalidade é um bom caminho e deve ser promovida enquanto tal.

*Padre

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