Opinião

As inovações de Francisco no sínodo

As inovações de Francisco no sínodo

O sínodo dos bispos foi instituído por Paulo VI na sequência do Concílio Vaticano II, em 1965. O objetivo foi que a dinâmica conciliar se fosse renovando pelo encontro e reflexão de bispos oriundos de todo o Mundo, convocados periodicamente pelo Papa. Assim, iniciou-se no passado dia 3 a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Este, pela primeira vez, é dedicado à juventude.

A missa de abertura do sínodo ficou marcada pela comoção do Papa ao mencionar a presença de dois bispos da China continental, a quem deu as boas-vindas, sublinhando que, "com a sua presença, a comunhão de todo o episcopado com o sucessor de Pedro torna-se ainda mais visível".

No discurso de saudação aos participantes nos trabalhos, o Papa, tal como tinha acontecido nos anteriores sínodos, pediu que falassem sem receio. "Uma crítica honesta e transparente é construtiva e ajuda, ao contrário das bisbilhotices inúteis, das murmurações, das suspeitas ou dos preconceitos", afirmou.

Este Papa introduziu uma dinâmica nova nos trabalhos sinodais. Aqueles que participaram nos últimos sínodos testemunharam que todos puderam expor as suas ideias, mesmo aqueles que não estão alinhados com o Papa. A todos ele ouviu sem esboçar a mínima reação, fosse de enfado ou de aprovação.

Para uma temática tão sensível como a da juventude - e tendo em conta que participam nos trabalhos vários jovens - é importante que estes se sintam à vontade e que exponham as suas inquietações e anseios no relacionamento com a Igreja. "O caminho de preparação para este momento destacou uma Igreja "com défice de escuta", inclusive para com os jovens, que muitas vezes se sentem não-compreendidos pela Igreja na sua originalidade e, por conseguinte, não aceites pelo que são verdadeiramente e, às vezes, até rejeitados", reconheceu o Papa no discurso de abertura do sínodo.

Nos primeiros dias, os jovens pediram para "serem escutados e não simplesmente ouvidos". Para serem "levados a sério", disse o prefeito do Dicastério para a Comunicação e presidente da Comissão Sinodal para a Informação, Paolo Ruffini.

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O Papa, esse, recordou aos padres sinodais que "à coragem de falar, deve corresponder a humildade de escutar". E introduziu um procedimento original no funcionamento do sínodo: "Estabeleço que durante os trabalhos, tanto na assembleia plenária como nos grupos, depois de cada cinco intervenções se observe um tempo de silêncio - cerca de três minutos - para permitir que cada um preste atenção às ressonâncias que as coisas ouvidas suscitam no seu coração, para aprofundar e apreender o que mais o impressiona. Esta atenção à interioridade é a chave para se efetuar o percurso e reconhecer, interpretar e escolher".

Se outras assembleias eclesiais fossem tão pautadas pela "crítica honesta e transparente" proposta pelo Papa, e se respeitassem os mesmos tempos de escuta, seriam certamente mais produtivas. Contribuiriam bem mais do que contribuem para a renovação das comunidades e dos organismos da Igreja, que bem precisam dela!

* PADRE

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