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Opinião

Dar sentido à vida descarta a eutanásia

Dar sentido à vida descarta a eutanásia

A Igreja Católica reafirma a sua condenação da eutanásia e do suicídio assistido num contexto em que muitos países, como Portugal, preparam legislação para a sua liberalização ou legalização.

A Congregação da Doutrina da Fé (CDF) divulgou recentemente a carta "Samaritanus Bonus" (O Bom Samaritano) com que pretende esclarecer "toda a ambiguidade acerca do ensinamento do Magistério sobre a eutanásia e o suicídio assistido, também naqueles contextos em que as leis nacionais legitimaram tais práticas", ou se preparam para o fazer.

Entre os fatores que levam ao pedido da eutanásia, a CDF identifica "uma assistência humana, psicológica e espiritual muitas vezes inadequada por parte de quem cuida do doente". É no campo da assistência espiritual que a Igreja pode, e deve, dar um contributo decisivo para que muitos que desistem de viver encontrem um sentido para uma vida que avaliam como sem qualidade ou na fase terminal.

Não é preciso ser crente para não desistir de viver. Até quando a qualidade de vida é bem precária, como foi o caso de Stephen Hawking (1940-2018), um ateu convicto que ao longo da vida foi perdendo mobilidade devido a uma doença neurodegenerativa, diagnosticada aos 21 anos. Em 2005, quando atingiu os 63 anos, apenas conseguia mover um músculo da bochecha. Com apenas esse músculo controlava um computador e "falava" através de um sintetizador. Foi desse modo que discursou em 2012 na cerimónia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Verão de Londres.

Já Ramón Sampedro (1943-1998), que o filme "Mar adentro" tornou mais conhecido, ficou tetraplégico aos 25 anos e, a partir daí, lutou 30 anos para que lhe fosse permitido o suicídio assistido. Acabou por conseguir suicidar-se, mas ilegalmente, aos 55.

É certo que enquanto um foi perdendo a mobilidade, o outro perdeu-a de repente. Contudo, o que não daria Stephen Hawking para poder falar como Ramón e o que isso não lhe teria facilitado na sua produção científica...

Mesmo quando a vida parece não ter qualidade nem sentido, o segredo está em encontrar boas razões para viver. Não são óbvias, não são fáceis, mas existem sempre.

*Padre

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