Opinião

Como aumentar as vocações na Europa?

Como aumentar as vocações na Europa?

É comum dizer-se que estão a diminuir na Igreja Católica as vocações à vida religiosa. Mas este é um discurso eurocêntrico. Na verdade, as vocações estão a aumentar, só que fora da Europa e do dito mundo ocidental, o qual inclui os Estados Unidos e o Canadá.

No final dos anos 60, de acordo com as estatísticas da Santa Sé, atingiu-se o maior número de sacerdotes no Mundo, que ultrapassavam os 440 mil. Há 30 anos, em 1989, caíram para pouco mais de 400 mil. Desde então têm vindo a aumentar e, de acordo com os últimos dados divulgados em 2017, já eram 414 582.

Na semana passada, o Papa Francisco recebeu os responsáveis pela promoção da pastoral vocacional nos países europeus. Não deu nenhuma receita para inverter a situação europeia da diminuição contínua das vocações, mas deixou algumas pistas.

O Papa recordou-lhes que o crescimento da Igreja, como acontece noutras paragens, não se dá por proselitismo, isto é, pela conversão à força, mas pela força da atração que os crentes podem exercer pelo seu testemunho e a alegria com que vivem a sua fé. Do mesmo modo, o trabalho vocacional não consiste em "procurar novos membros para um clube", mas em testemunhar a alegria de uma vida consagrada a Deus e, assim, levar outros a interrogarem-se se serão ou não chamados a essa forma de vida.

Os jovens "são diferentes em todos os lugares, mas são iguais em ansiedade, em sede de grandeza, no desejo de fazer o bem", disse o Papa. A conclusão que se impõe é que, se na Europa continuam a diminuir as vocações, então têm de ser encontradas as razões para que isso aconteça.

Há uma justificação evidente para que no mundo ocidental o clero esteja a diminuir e cada vez mais envelhecido. Acontece-lhe o mesmo que ao resto da população, que enferma do mesmo problema. Mas não será só essa a razão. O Papa realçou a dificuldade que a Igreja experimenta em falar aos jovens. "Para chegarmos ao coração deles é preciso, antes de mais nada, falar uma língua que eles compreendam", disse.

Para além disso, no trabalho vocacional é preciso estar consciente que não se trata de convencer alguém a ir para este ou aquele caminho, mas ajudá-lo a descobrir o papel que é chamado a desempenhar na Igreja e no Mundo. "É um trabalho que tem de ser feito passo a passo. Quem trabalha com os jovens, portanto, não deve impor, mas sim acompanhar, guiar e ajudar para que o encontro com o Senhor os faça ver qual é o caminho da vida".

Com a diminuição das vocações, a tentação poderá ser baixar a exigência. Não é esse o caminho que o Papa preconiza. "O dom da vocação será, sem dúvida, um dom exigente. Os dons de Deus são interativos e, para os desfrutar, é preciso pôr-nos em campo, arriscar", escrevia ele aos jovens na Exortação Apostólica "Cristo Vive".

Aquilo que é fácil poderá atrair alguns, que se contentarão em ser profissionais do sagrado, mas não aqueles que anseiam por descobrir o caminho que dá sentido às suas vidas, aqueles que estão dispostos a arriscar e gastar-se ao serviço dos outros.

* Padre