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Opinião

Os inimigos e os aliados do Papa

Os inimigos e os aliados do Papa

Esta semana, no próximo dia 13, assinalam-se os seis anos da eleição do Papa Francisco. Desde a primeira hora, a Igreja e o Mundo perceberam que não se tratava apenas de mais um Papa, mas de uma nova forma de exercer o ministério petrino.

Tudo era novo e surpreendente nos gestos e nas palavras de um Papa que veio para desinstalar a Igreja. Obrigá-la a sair do seu "autorreferencialismo" e desafiá-la a ir ao encontro das "periferias geográficas e existenciais". Viveu-se e experimentou-se um novo dinamismo, equiparado por muitos ao do Concílio Vaticano II, 50 anos antes.

Toda a mudança que desinstala incomoda. Por isso, desde a primeira hora, não faltou quem procurasse lançar lama sobre o Papa. Foi acusado de ter pactuado com a ditadura militar na Argentina, entre 1976 e 1983, quando era provincial dos jesuítas, por não a ter denunciado publicamente. Poucos meses após a sua eleição, em outubro de 2013, o jornalista italiano Nello Scavo publica o livro "A lista de Bergoglio", em que comprova que o então provincial dos jesuítas ajudou várias pessoas a escapar à perseguição política da ditadura.

Na semana passada, saiu o livro "Salvos por Francisco", publicado por um historiador argentino, Aldo Duzdevich. Apresenta 25 testemunhos de pessoas que foram salvas pelo então padre Jorge Mario Bergoglio da ditadura militar argentina.

O autor declara-se com formação cristã, mas sem qualquer vínculo à Igreja Católica e ligação ao Papa, o que lhe permite um distanciamento crítico em relação aos factos abordados na sua obra. Numa entrevista ao sítio "Religión Digital" diz que, contrariamente ao que esperava, foi do interior da Igreja, padres e bispos argentinos, que sentiu menos apoio e colaboração na elaboração desta obra, salvo uma ou outra exceção.

Têm sido também padres e bispos os maiores responsáveis por travar e ensombrar a liderança do Papa Francisco ao longo destes seis anos de pontificado. À cabeça dos detratores do Papa estão alguns ultraconservadores que querem travar a todo o custo as reformas protagonizadas e propostas pelo Papa, como recentemente denunciou o cardeal de Leiria-Fátima, D. António Marto.

Os comportamentos reprováveis de alguns clérigos, encobertos durante muitos anos pelos seus bispos, como são os casos de abusos sexuais, também têm prejudicado, e muito, a ação reformadora do Papa. Prejudicaram, apesar de ele ter aproveitado esse dossiê para obrigar a Igreja a confrontar-se com o mistério do mal no seu interior, tendo imposto uma mudança radical no tratamento e abordagem desses casos. Hoje, dificilmente os bispos - só se forem inconscientes... - voltarão a encobrir ou a subestimar as denúncias que lhes chegarem.

Apesar de o Papa também ter declarado guerra ao carreirismo e ao clericalismo, não é em meia dúzia de anos que se conseguem corrigir hábitos seculares e até milenares. Felizmente, a Igreja também é constituída por muitos santos, padres e bispos, homens e mulheres de boa vontade, que, com o Papa, não deixarão de promover a sua renovação.

Padre