Opinião

Papa desafia a evitar o "leopardismo"

Papa desafia a evitar o "leopardismo"

A assembleia-geral da Caritas decorre em Roma desde a passada quinta-feira até amanhã. A Caritas é a mão da Igreja estendida aos mais pobres, aos mais fracos, aos excluídos em todo o Mundo.

Está organizada em mais de 160 países. Delegados de todos esses países estão reunidos para decidir as prioridades para os próximos quatro anos e eleger o secretário-geral da organização. O cardeal filipino Luis Tagle, que recentemente esteve em Fátima para presidir à peregrinação do13 de maio, deverá continuar a liderar a Caritas.

Na abertura da assembleia o Papa Francisco presidiu à celebração da eucaristia e pediu que na Igreja se "evite o "leopardismo" e a tentação do eficientismo". Referia-se ao filme "O leopardo", do realizador italiano Luchino Visconti, de 1963, em que o príncipe protagonista finge aderir ao processo de unificação da Itália, não para promover a mudança, mas para que tudo fique na mesma. "Ao nos purificarmos, ao nos reformarmos, devemos evitar o leopardismo, isto é, fingir que mudamos alguma coisa, de modo que, na realidade, nada mude" disse o Papa.

O tema proposto para os trabalhos foi "Uma família humana, uma casa comum". Traduz uma sintonia com o apelo do Papa para que escutemos "o grito dos pobres e o grito da Terra". Para a Caritas, a preocupação com os pobres tem de ter em conta também o cuidado com o planeta. Como o Papa demonstrou na encíclica "Laudato Si"", são os mais pobres que sofrem as maiores consequências com as alterações climáticas (cf. nº 48-52).

Na passada sexta-feira cumpriu-se o quarto aniversário desta Encíclica do Papa dedicada aos problemas da ecologia, coincidindo com mais uma greve dos estudantes às aulas para chamar a atenção para a defesa da casa comum que é o planeta. Na encíclica, o Papa escrevia que "os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos" (n.º 13).

Os jovens ouviram os apelos do Papa e já se organizaram num movimento que denominaram "Geração Laudato Si"", o qual também se associou ao movimento grevista lançado por Greta Thunberg. Esta, para além da greve que começou a fazer sozinha, é consequente com os seus ideais: por exemplo, não viaja de avião e prefere meios de transporte mais ecológicos.

Em Bragança, um pai, chefe dos escuteiros do Agrupamento XVIII, quando as filhas lhe comunicaram que pretendiam faltar às aulas na sexta-feira para se associarem à greve promovida por Greta, desafiou-as a serem consequentes com a sua opção e a assumirem outros hábitos mais amigos do ambiente, para além fazerem greve. Por exemplo, em vez de pedirem tantas vezes para os pais as levarem à escola de carro, fazerem o percurso, que é relativamente curto, a pé.

Este movimento juvenil deve ser apoiado, mas ele não basta, se tudo continuar como dantes. A melhor forma dos adultos ajudarem os jovens a assumir opções amigas do ambiente será eles próprios tornarem-se mais responsáveis na proteção do planeta.

*Padre