Opinião

Missas regressam com o futebol

Missas regressam com o futebol

A Igreja Católica assume que a Eucaristia é decisiva para a vida das comunidades. Contudo, em muitas circunstâncias, como a desta pandemia, não encontra soluções para a tornar mais acessível aos seus fiéis leigos.

"Comungamos do sofrimento de tantos cristãos privados da participação efetiva na celebração sacramental da Eucaristia, cume e centro da vida cristã, na esperança de um mais rápido reinício das celebrações comunitárias da Eucaristia, fonte da nossa alegria pascal", refere o comunicado de sábado do conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa.

Na verdade, a muitíssimos cristãos não foi garantido o acesso à Eucaristia. Já os sacerdotes puderam continuar a celebrar, mesmo sem povo. Algo que antigamente era normal, pois para haver Eucaristia bastava haver sacerdote, mas que, a partir do Concílio Vaticano II, passou a não ser recomendado, salvo em situações muito extraordinárias. Proibiu-se mesmo, na sequência da reforma conciliar, as missas sem povo na Quinta-Feira Santa, o dia em que se comemora a instituição da Eucaristia na última ceia. Este ano, por causa da pandemia, até isso foi permitido.

O problema é que, como os padres não ficaram privados da Eucaristia, a mensagem que acaba por passar é que a hierarquia não está muito preocupada em reativar rapidamente as missas porque a sua suspensão só afetou o povo. Há nisto alguma injustiça, uma vez que na origem esteve a preocupação de proteger os fiéis do contágio e, assim, contribuir para a contenção da pandemia.

Também se pode passar a imagem falsa de que afinal as missas não são assim tão importantes como dizem. Até por confronto com as comemorações do 25 de Abril e do 1.o de Maio. A Assembleia da República e uma central sindical não abdicaram dessas efemérides, escudando-se no cumprimento das normas de segurança da Direção-Geral da Saúde. Percebeu-se, mesmo assim, que nessas comemorações se verificaram alguns deslizes.

A Igreja não quererá correr esses riscos. Até porque, como se viu ainda nos inícios da pandemia, é um corpo muito vasto, em que nem todos cumprem. Isso verificou-se, por exemplo, com a distribuição da comunhão na boca. Iria, por isso, sujeitar-se a ser apontada como negligente e imprudente.

Assim, seguiu o caminho mais fácil: não fazer pressão sobre o Governo para abrir mais cedo, como alguns estabelecimentos, entre os quais cabeleireiros. Irá manter a suspensão das eucaristias comunitárias e reiniciá-las, como o futebol, apenas no fim de semana de 30 e 31 de maio. Isto se a evolução da pandemia e o Governo o permitirem.

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A Igreja, mesmo arriscando-se a ser incompreendida, dá um testemunho de prudência e de defesa da saúde dos seus fiéis. Seria bom aproveitar estas e outras circunstâncias, como as das comunidades da Amazónia e outras, em que os fiéis não têm acesso à celebração da Eucaristia, para procurar e ensaiar soluções que garantam mais possibilidades de acesso ao alimento eucarístico. Nomeadamente, a ordenação de homens casados, como foi proposto pelo Sínodo da Amazónia.

Padre

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