Opinião

Não há idade para (re)descobrir a vocação

Não há idade para (re)descobrir a vocação

Duas religiosas, já sexagenárias, descobriram um novo sentido para a sua vocação na Costa, freguesia de Maceira, no extremo sul do concelho de Leiria.

Durante décadas, Margarida Monteiro e Eduarda Barbosa, agora septuagenárias, foram Irmãs de S. José de Cluny. A Ir. Margarida sentiu-se chamada a cuidar das pessoas e da terra. Saiu da congregação e assumiu a casa e os terrenos dos pais, entretanto falecidos, e ali fundou, em 2010, a associação de apoio à família Nascentes de Luz. Começou a sonhar com um planeta que se venha a transformar num verdadeiro jardim, um paraíso humano e natural.

Descobriu na permacultura a conjugação das suas aspirações mais profundas. É um modo de cultivar a terra de forma sustentável, uma cultura que se pretende permanente. Um conceito complexo, mas que se pode sintetizar com a tríplice preocupação: cuidar do planeta; cuidar das pessoas e da pessoa toda; partilhar saberes e recursos, bem como excedentes. Em 2012, a associação Nascentes de Luz lançou o projeto de permacultura que já contagiou empresas e famílias próximas.

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Desde os inícios da aventura da Ir. Margarida, a Ir. Eduarda acompanhava-a em férias. Até que, em 2014, decidiu passar a viver com ela. Estas duas religiosas, e as culturas e saberes que promovem e partilham, captaram a atenção da cadeia franco-alemã ARTE, a qual produziu um belíssimo documentário sobre elas. Está disponível online em francês, até ao próximo dia 4 de novembro, na rubrica culinária "Cuisines des Terroirs" (Cozinhas Regionais).

Margarida e Eduarda saíram da congregação. Mas continuam a viver em sintonia com a fundadora das Irmãs de S. José de Cluny, Ana Maria Javouhey, para quem fazer a vontade de Deus era tudo. Elas redescobriram-na, depois dos 60, na dedicação e no apoio às famílias e na promoção da permacultura.

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