Opinião

O bispo desafiado a ser o paladino do Papa

O bispo desafiado a ser o paladino do Papa

Os bispos portugueses elegeram D. José Ornelas, bispo de Setúbal, para substituir D. Manuel Clemente na presidência da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Nas suas primeiras declarações aos média, em sintonia com a reflexão que os bispos publicaram sobre a pandemia, D. José pediu uma maior presença do Estado na resposta à crise social e económica provocada pela covid-19. Tal não quer dizer que tenha de ser o Estado a fazer tudo, mas a emergência sanitária não pode ser desculpa para falhar com os mínimos a que os cidadãos têm direito.

O novo presidente da CEP vai empenhar-se na união dos bispos e convoca a Igreja a dar o seu contributo, não só no combate à pobreza, mas também a ajudar a "repensar" um novo modelo económico e social para o país. Mereceu destaque a afirmação de D. José de que a "miséria custa muito caro". Bem como o seu empenho para que a pandemia não faça reviver situações dramáticas como as que aconteceram noutras crises na península de Setúbal.

D. José denunciou ainda o subfinanciamento das IPSS nos últimos anos. Muitas delas são geridas por entidades ligadas à Igreja Católica e, segundo o presidente da CEP, "estão no limite da sustentabilidade, o que é uma grande preocupação pelo serviço que estas instituições prestam à sociedade". Em entrevista ao "Público", manifestou-se também contra os "totalitarismos" que a pandemia pode provocar, como a monitorização das deslocações das pessoas. E disse com frontalidade que a criação das comissões para lidar com o abuso sexual de menores na Igreja pode levar ao aumento das denúncias.

"A escolha da CEP foi feliz: o bispo de Setúbal é, no atual quadro, um dos poucos com capacidade de imprimir um ritmo diferente à Conferência, libertando-a de vários espartilhos históricos", afirma António Marujo no jornal digital "7Margens". Nesse texto desafia D. Ornelas a "trazer "franciscanismo" ao catolicismo português". Ou seja, a fazer com que a adesão do clero ao Papa Francisco não seja "apenas epidérmica, sem grandes consequências de ordem prática".

Oxalá tenha sucesso, para bem da Igreja em Portugal e da própria sociedade.

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