Opinião

O que dizem de nós, os padres

O que dizem de nós, os padres

Aparecem, esporadicamente, algumas análises interessantes acerca dos funcionamentos e disfuncionamentos da Igreja. São, muitas das vezes, feitas por leigos, os quais, embora deixando algumas críticas contundentes, fazem-no não para atacar a Igreja, mas preocupados em dar o seu contributo para que ela funcione melhor.

No início do ano, João Paiva, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, publicou um artigo de opinião no sítio dos jesuítas Ponto SJ em que no título coloca a questão: "Se para uma missa basta um padre, para um padre não bastará uma missa?".

Nesse texto critica os padres "turbomisseiros" que, ainda que movidos por uma genuína preocupação com o povo que lhes está confiado, "alimentam e perpetuam uma realidade insustentável". Desafia os sacerdotes a celebrar menos missas e melhores missas. E dá algumas sugestões para que cada comunidade encontre outras formas de celebrar o domingo, mesmo na ausência do presbítero.

Há dias, no sítio Funchal Notícias, a jornalista Rosário Martins publicava um texto de opinião também com uma questão como título: "Os nossos padres: servos de Deus ou gestores de património?" No artigo denuncia que "o sacerdote se transformou num funcionário do culto" e, mais grave ainda, que muitas vezes se reduziu a um "leitor alinhado da palavra de Deus que a recita sem unção e, consequentemente, sem tocar no coração de quem o escuta".

Ao longo do texto, corresponsabiliza os leigos por esta situação, por nada fazerem para ajudar os seus párocos. Refere uma série de logros em que caem os sacerdotes, afastando-os do que deles se espera como párocos. E coloca o dedo na ferida ao dizer que o que está a falhar é que "a maioria dos padres manda orar, mas eles próprios, dominados pela agenda e pelas pressões do Mundo, deixaram de orar".

Estes são dois textos que traduzem o que os leigos pensam de nós, os padres. Há alguns reparos que devem ser levados a sério e nos desafiam a pensar sobre aquilo que andamos a fazer. É bem possível que andemos a dar demasiada importância àquilo que não o merece, em detrimento do que é essencial.

*Padre

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