Opinião

Papa declara imoral o uso do nuclear

Papa declara imoral o uso do nuclear

Hoje conhecem-se os efeitos nocivos da energia nuclear melhor do que há 75 anos, quando, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, foram lançadas as bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki. Os desastres nucleares em Chernobyl (1986), na Rússia, e Fukushima (2011), no Japão, contribuíram para uma consciencialização maior da Humanidade dos perigos da manipulação nuclear. Contudo, alguns países continuam a investir nesse tipo de energia e a utilizar essa tecnologia na produção de armamento.

Se no passado os papas chegaram a admitir este tipo de investimento - com Paulo VI a considerar que seria "uma solução provisória admissível" - hoje o Papa Francisco não tem dúvidas que "é imoral, não somente o uso, mas também a posse de armas nucleares". Disse-o na visita ao Memorial da Paz de Hiroxima, dia 24 de novembro de 2019. E repetiu-o agora numa mensagem ao governador da província de Hiroxima, na celebração do 75.o aniversário do ataque nuclear lançado no contexto da II Guerra Mundial.

O Papa, para além de considerar imoral e perigosa a corrida ao armamento nuclear, tem sublinhado um outro aspeto condenável dessa política. "Hoje, no 75.oº aniversário da explosão atómica em Hiroxima, recordemos que os recursos usados para a corrida armamentista poderiam e deveriam ser utilizados em benefício do desenvolvimento integral dos povos e para a proteção do meio ambiente", publicou no Twitter no passado dia 6.

Em sintonia com o Papa, os bispos católicos de Inglaterra, Gales e Escócia, numa declaração conjunta a propósito desta efeméride, denunciaram que "o custo das armas nucleares deveria ser medido, não apenas pelas vidas destruídas devido à sua utilização, mas também pelo sofrimento das pessoas mais pobres e vulneráveis, que poderiam ter beneficiado se tais avultadas somas de dinheiro público tivessem sido investidas no bem comum da sociedade".

O discurso papal teve de mudar em relação às armas nucleares. Todos os católicos deverão acompanhar o Papa na condenação da corrida ao armamento. E devem exigir aos líderes mundiais um maior empenho na erradicação da pobreza e na defesa do ambiente.

*Padre

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