Opinião

Pobreza e ambiente, prioridades do Papa

Pobreza e ambiente, prioridades do Papa

O Papa Francisco publicou mais uma mensagem incisiva de defesa do Planeta e dos mais pobres. Na mensagem para o Dia Mundial de Oração pela Criação retomou algumas das suas ideias, nomeadamente da Laudato Si", atualizando-as ao contexto da pandemia que o Mundo atravessa.

"A desintegração da biodiversidade, o aumento vertiginoso de catástrofes climáticas e o impacto desigual, que a atual pandemia tem sobre os mais pobres e frágeis, são sinais de alarme perante a avidez desenfreada do consumo", denuncia o Papa.

Recupera, nesta mensagem, o conceito de "novo colonialismo" de João Paulo II. E condena as empresas que exploram "vergonhosamente comunidades e países mais pobres a braços com uma busca desesperada de desenvolvimento económico".

Volta a exigir o perdão da dívida aos países pobres. "Renovo o meu apelo para se perdoar a dívida dos países mais frágeis, à luz do grave impacto das crises sanitárias, sociais e económicas que aqueles têm de enfrentar na sequência do vírus covid-19", escreve o Papa.

No vídeo que publica todos os meses para promover a Rede Mundial de Oração, é ainda mais contundente para com as empresas e os países ricos. "Estamos a espremer os bens do Planeta. Espremendo-os, como se fossem uma laranja. Países e empresas do Norte enriqueceram explorando dons naturais do Sul, gerando uma "dívida ecológica"".

Apesar de todos estes sinais de alarme, o Papa olha com esperança para o ano especial que convocou para celebrar o quinto aniversário da Laudato si" (o qual decorre de 24/05/2020 a 24/05/2021). Esta iniciativa, segundo o Papa, está a inspirar numerosas iniciativas a nível local e global em prol dos pobres e do cuidado com a casa comum.

De facto, algumas Conferências Episcopais e dioceses não se ficam pelas mensagens com apelos vagos e "pias intenções" em defesa do ambiente, mas arregaçam as mangas e metem as mãos à obra. É o caso dos bispos do Bangladesh que lançaram um programa de plantação de 400 mil árvores. Ou da diocese filipina de Maasin, que se tornou na "primeira do Mundo a ser movida a energia solar", como noticiou o jornal digital "Sete Margens".

*Padre

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