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Solidariedade e liberdade religiosa

Solidariedade e liberdade religiosa

Os bispos europeus estão preocupados com a crise económica que se anuncia como resultado da covid-19.

Na passada quarta-feira estiveram reunidas, por videoconferência, as presidências do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) e elaboraram uma posição conjunta em que apelam para que ninguém "fique para trás".

Já na semana passada a Comissão de Assuntos Sociais da COMECE sublinhava que "esta crise pode ser uma oportunidade para que a União Europeia dê um importante passo adiante afirmando e expressando a sua solidariedade, apoiando a Europa para que se recupere através da justiça ecológica, social e contributiva". Para esse organismo será necessário implementar um plano que traduza - em linha com o que tem proposto o Papa Francisco - uma maior solidariedade, recorrendo a "soluções inovadoras".

Para além destas preocupações, os bispos europeus contestaram a "forte limitação à liberdade religiosa" que se verificou com a imposição do encerramento dos "lugares de culto e a proibição das liturgias". Pedem que se restabeleçam "as relações normais Estado-Igreja baseadas no diálogo e respeito pelos direitos fundamentais".

A Conferência Episcopal Italiana já tinha feito essa denúncia, mas o Papa Francisco não a acompanhou, preferindo apelar ao cumprimento das normas sanitárias na defesa da saúde dos fiéis. Em Portugal não faz sentido agitar essa bandeira, até porque foi a própria Igreja que se antecipou às medidas do Governo para travar a pandemia, tendo cedo suspendido todas as celebrações.

Com o "desconfinamento religioso", verificou-se em muitos sítios que as igrejas foram suficientes para os fiéis que quiseram participar na eucaristia. Não foram as normas que afastaram os fiéis das celebrações, mas o receio de serem contagiados.

O culto, neste contexto, não deverá ser a principal preocupação da Igreja, mas aquilo a que o Papa tem chamado a "globalização da solidariedade" para vencer a "pandemia da indiferença". A Igreja, tal como aconteceu em Portugal, deve procurar ser mais proativa do que reativa.

*Padre

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