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Teologia no feminino e o poder da arquitetura

Teologia no feminino e o poder da arquitetura

A teóloga alemã Marianne Schlosser e o arquiteto suíço Mario Botta receberam no Vaticano o Prémio Ratzinger, no sábado passado, das mãos do Papa Francisco. Esta distinção é considerada o Prémio Nobel da Teologia.

Bento XVI instituiu a Fundação Vaticana Joseph Ratzinger, em 2010, a qual, para além de atribuir o prémio que distingue personalidades que deram um contributo relevante para a reflexão da questão de Deus, atribui bolsas de doutoramento em Teologia e organiza um congresso científico em torno das questões teológicas.

Ao longo dos anos o Prémio Ratzinger já foi conferido a diversos teólogos, incluindo um ortodoxo e um biblista anglicano. Desde o ano passado, em vez de distinguir somente teólogos, passou também a ser atribuído a personalidades das artes que nas suas obras revelam uma clara inspiração cristã. Em 2017 recebeu também o prémio o compositor Arvo Pärt, natural da Estónia.

A arquitetura de Mario Botta - foi referido na breve apresentação do laureado - "concebida, seja como arte capaz de se fundir de maneira harmoniosa como a natureza, as culturas e a história dos territórios, seja como testemunha concreta das vivências históricas e das aspirações humanas", tem criado "admiráveis espaços para a elevação espiritual e a oração da assembleia cristã".

O Papa Francisco sublinhou que os teólogos e os arquitetos "ajudam-nos a levantar a cabeça e a dirigir os nossos pensamentos para Deus". Recordou, durante a sessão da entrega dos prémios, que "o empenho do arquiteto, criador de espaço sagrado na cidade dos homens, é, portanto, de altíssimo valor, e deve ser reconhecido e encorajado pela Igreja, especialmente quando se corre o risco de esquecer a dimensão espiritual e da desumanização dos espaços urbanos".

A distinção atribuída, pela segunda vez, a uma mulher, foi apresentada como um desafio à Igreja para "que seja cada vez mais reconhecida a contribuição feminina no campo da investigação teológica científica e no ensino da teologia, durante muito tempo considerado um território quase exclusivo do clero", fez questão de sublinhar o Papa.

Marianne Schlosser é uma das mais profundas conhecedoras da teologia e da espiritualidade nos séculos medievais da história da Igreja. Tem-se dedicado a estudar as ordens mendicantes e personalidades como S. Boaventura e Santa Catarina de Sena. A sua principal preocupação é "tornar os tesouros da história da espiritualidade acessíveis aos leigos e a um público mais amplo", como foi referido na sua apresentação durante a cerimónia da entrega do Prémio Ratzinger.

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A Igreja não deve negligenciar o contributo das mulheres na construção do seu edifício teológico. "É necessário que tal contributo seja encorajado e encontre um espaço mais amplo, coerente com a crescente presença das mulheres nos vários campos de responsabilidade da Igreja", referiu o Papa. A Igreja precisa também de arquitetos inspirados na construção de templos que traduzam a sua espiritualidade, espaços que propiciem a elevação dos crentes para Deus.

Padre

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