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Opinião

Tradicional é comungar na mão

Tradicional é comungar na mão

Desde os anos 60 que se tem vindo a reintroduzir a possibilidade de receber a comunhão na mão.

Em Portugal esta prática foi oficializada por uma Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa a 10 de outubro de 1975. Recomendava-se então que ela não fosse imposta; devia ser respeitada a decisão de cada um. Pela minha parte, sempre considerei abusivo, tanto os ministros que se recusavam a dar a comunhão na língua, como os que impunham essa forma de comungar.

Recentemente alguns fiéis recuperaram o hábito de receber a comunhão na boca e de joelhos como antigamente. Foi algo que de início me incomodava, mas que passei a respeitar. Apesar de ser evidente que a comunhão na mão é mais higiénica, se o fiel prefere fazê-lo da forma tradicional e mesmo de joelhos, só me resta respeitar a sua opção e ter o máximo cuidado para evitar contacto com a sua língua ou com os lábios. Isso não é nada fácil e acontece frequentemente os comungantes acabarem por inadvertidamente me tocar.

Há quem defenda que mesmo neste contexto de pandemia se tem de continuar a respeitar a vontade dos fiéis e que não se pode obrigar todos a comungarem na mão. Associa-se essa pretensão aos setores mais conservadores da Igreja, o que é estranho. O ato fundador desta tradição é a comunhão na mão: na primeira eucaristia, na Última Ceia, Jesus Cristo partiu o pão e deu-o aos seus discípulos.

Hoje o que está em causa é se, para salvaguardar opções pessoais, se deve pôr em risco a saúde dos outros. Invocando a defesa da saúde pública, como já aconteceu noutras pandemias, os bispos portugueses recomendaram que se distribuísse a comunhão na mão, para além de muitas outras restrições que sublinham bem a gravidade da situação que atravessamos.

Insistir, por isso, na comunhão na boca, para além de não ser ajustado, não é nada cristão, pois coloca acima do bem comum - a preservação da saúde do outro - aquilo que cada um retém como melhor para si. Se para qualquer pessoa não é lícito comportar-se sem ter em consideração os outros, por maioria de razão não o é para um cristão, que é chamado a dar a vida pelo seu irmão.

*Padre

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