Opinião

Um sínodo para abrir a Igreja ao Mundo

Um sínodo para abrir a Igreja ao Mundo

As dioceses portuguesas já celebraram o início do Sínodo dos Bispos. Quase todas o fizeram no domingo, dia 17. O Ordinariato Castrense (diocese das forças armadas e de segurança) fez a sua abertura no passado dia 21 e a diocese de Lisboa foi a última a inaugurar, hoje, o processo sinodal.

Está lançado, portanto, um processo que muitos consideram o acontecimento eclesial mais importante desde o Concílio Vaticano II. Tal como quando S. João XXIII convocou o Concílio, não faltam vozes, mesmo no nosso país, que acham que tudo vai ficar na mesma. De facto, é um risco se as diferentes igrejas particulares não entrarem nesta dinâmica sinodal.

Mas tal como aconteceu com o Concílio, também pode significar uma renovação profunda da Igreja Católica, a partir de um processo que nunca antes foi ensaiado, pelo menos a um nível tão global.

Muitos estarão na expectativa de que é agora que a Igreja vai acabar com o celibato dos padres ou passar a ordenar mulheres. Mais importante que alterações como essas, embora não pareça, é transformar a Igreja num espaço em que todos têm o direito de expressar as suas opiniões, anseios e inquietações. E através delas - não por maiorias ou votações, mas pelo discernimento - procurar escutar o que Deus pede à Igreja em cada momento concreto da sua história.

Este é o trabalho que verdadeiramente compete aos seus líderes católicos. Não é o de imporem as suas opiniões, de calarem as vozes incómodas ou de só acolherem os que pensam como eles.

O Papa Francisco sintetizou em três verbos essa dinâmica que ele quer ver em toda a Igreja: encontrar, escutar e discernir. Se, como resultado deste processo sinodal, a Igreja se abrir ao Mundo, se empenhar em ir ao seu encontro, aprender a escutá-lo e a interpretar os sinais dos tempos, este será seguramente o melhor que poderá retirar do processo que conduzirá ao Sínodo dos Bispos.

Os dados estão lançados. Compete a cada homem e cada mulher, e não só aos católicos, integrarem a dinâmica sinodal lançada pelo Papa e fazer ouvir a sua voz. Com a esperança que ela chegue a Roma e ajude os bispos a discernirem o que Deus lhes pede.

PUB

Padre

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG