Opinião

Desemprego

O desemprego é a consequência mais dramática da crise e das políticas de austeridade prosseguidas nos últimos anos. O problema é grave pela sua dimensão e sobretudo pela sua persistência. Cerca de 720 mil trabalhadores encontram-se desempregados. O desemprego jovem atinge 35% dos jovens em condições de trabalhar, o dobro de há sete anos. O desemprego de longa duração mais que duplicou neste período e atinge quase meio milhão de trabalhadores. O desânimo e o desencorajamento ganham terreno. Os mais jovens e mais qualificados abandonam o país. Outros, pura e simplesmente desistem de procurar trabalho.

São enormes os sacrifícios e dramas pessoais. Os custos para o país são consideráveis. Nestes sete anos, perdemos mais de 700 mil empregos. Em média, cada empregado produz cerca de 37 500 euros por ano. O país está assim a perder anualmente uma produção de 26 mil milhões de euros. O impacto nas finanças públicas é também significativo. O Estado cobra a título de impostos e contribuições cerca de 30% da produção gerada na economia. Assim sendo, aquela perda de produção implica uma perda de receita que permitiria reduzir o défice em cerca de 4,6% do PIB.

A criação de emprego é um imperativo económico e financeiro porque aumenta os recursos disponíveis para financiar novo investimento e sustentar as políticas públicas. Mas é acima de tudo um imperativo social para promover a inclusão social e económica de milhares de portugueses. Mais emprego exige mais crescimento. Que crescimento? A que ritmo? Que políticas? Apostar em setores modernos e competitivos que promovam a requalificação e a empregabilidade dos recursos humanos? Quais? Deixo estas questões para uma próxima reflexão. Mas, uma coisa é certa, crescer em torno de 2% ao ano é manifestamente insuficiente.

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Termino com um alerta. O crescimento não resolverá tudo. Há que promover políticas de ocupação/reinserção dos que terão dificuldade em regressar ao mercado de trabalho e políticas sociais que reduzam o risco de pobreza e de exclusão social. Não esqueçamos que muitos do quase meio milhão de desempregados de longa duração deixam de beneficiar do subsídio de desemprego e o risco de pobreza e exclusão é para eles enorme. O problema é real e não pode ser ignorado. Por isso, deve estar no centro das nossas preocupações.

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