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Hugo Silva

#refluxo

Que as máquinas de roupa comem meias é de conhecimento geral. Aliás, uma das principais causas de falecimento deste tipo de eletrodomésticos é a obesidade mórbida ligada à ingestão sem regras de peúgas ou o colesterol associado ao abuso de peças de roupa interior. Mas o que me escapava era que também havia máquinas de lavar louça que regurgitam pratos, talheres, copos, tachos e demais utensílios de cozinha. É um mal silencioso, de que pouca gente fala. Mas não há que ter vergonha. E não pode ser só a minha. Nos últimos tempos, parece que só faço duas coisas: ou estou a pôr louça na máquina, ou estou a tirar louça da máquina. A coitada só pode estar com refluxo e, de cada vez que eu meto um copo, ela vomita dois. O mesmo acontece com pratos e tachos. Bem sei que tivemos as festas, mas lá em casa nem houve ajuntamentos. A não ser, claro está, os que aconteceram no interior da própria máquina, tal a confusão de louçaria. Procurei ajuda médica para a infeliz, que nem é muito velha, mas só me recomendaram uma consulta de saúde mental. "Saúde do metal?", perguntei, pensando então que o problema estava no revestimento da máquina. "Não, saúde mental", disseram, ao colocar-me o colete de forças.

Hugo Silva

#indigestão

É triste. Além de triste, é injusto. E revoltante, sobretudo em época natalícia. Custa ainda mais quando se vê que é a própria Justiça a potenciar este tipo de situações. A notícia surgiu há dias: num acordo extrajudicial, pondo fim a uma querela jurídica que durava desde 2011, BCP e Jardim Gonçalves acordaram baixar a reforma do ex-banqueiro para menos de um terço. Peço desculpa, mas é difícil conter as lágrimas. Como vai uma pessoa viver com 49 mil euros por mês? Com 174 mil euros, ainda se conseguia fazer uma vida condigna, não digo comer bife todos os dias, mas sempre dava para uma outra costeleta e um lombo assado ao domingo. Mas 49 mil euros por mês? Logo numa altura de esbanjamento, em que se decide aumentar o salário mínimo de 630 para 665 euros! Será possível a alguém sobreviver com 73 salários mínimos? E ainda por cima perder miminhos como segurança e motorista. Este país não é para reformados. Vá lá que não foi preciso devolver dinheiro. Ainda dará para comprar o bacalhau para o Natal. Daquele fininho, para não ser caro. De resto, como a consoada parece que é para festejar ao pequeno-almoço, sempre é menos indigesto.

Hugo Silva

#maisvaledormir

Não se deve fazer compras com fome. Esvaziamos as prateleiras de tudo o que possa afagar o estômago e quanto mais docinho melhor. Mas e se fizermos compras com sono? Corremos o risco de sair do hipermercado com três almofadas, quatro pares de pantufas, dois ou três jogos de lençóis e um pijaminha fofinho? Há estudos que nos informem sobre a ligação entre o sono e a aquisição de bens em contexto de hipermercado? De supermercado? De mercearia? Não encontrei. Também não procurei, mas isso não é razão para não me ter aparecido um no mural do Facebook. E se não está nas redes sociais, não existe. Perante esta grotesca falha da ciência, nada mais restava ao Governo do que impedir a abertura de estabelecimentos comerciais às seis e meia da manhã. E a decisão não evita apenas um surto de compras de impulso sonolento. É que com as discotecas fechadas, estou mesmo a ver que o momento podia ser aproveitado para uma ansiada festa "after-hours". Então, era ver clientes de provecta idade - de longe, os mais madrugadores - a disputarem o espaço com moçoilos e moçoilas a esbracejar ao som da música ambiente, cortesia de um qualquer DJ Repolho. Mais vale dormir.

Hugo Silva

#apontamentos

Ora bem, é melhor apontar para não me esquecer. Apontamentos para crónica. Um zero zero zero zero zero zero zero zero zero. Mil milhões de euros para o metro do Porto. E ainda mais um sete quatro zero zero zero zero zero zero, 174 milhões para autocarros, ou melhor, metrobus, que nisto convém não passar por parolo. Junta-se nove zero zero zero zero zero zero zero zero, 900 milhões, para o TGV do Porto para Vigo. E isto é só uma migalha do que há para ferrovia: 10,5 mil milhões. São tantos zeros que tenho medo de meter água, nem o euromilhões tem tantos! Isto é o plano para 2030. Autárquicas são para o ano. As duas linhas de metro que, de facto, estão para avançar, nunca mais começam. Têm muito menos zeros. E zero pontes. Algumas "obras" anunciadas com foguetes e que só serviram para aumentar o anedotário da malta: túnel no rio Douro, teleférico da Serra do Pilar ao Palácio de Cristal, parque de diversões em Campanhã, escadas rolantes em 31 de Janeiro, ponte pedonal na Ribeira, outra ponte pedonal na Ribeira. Ah! Quase me esquecia: outra ponte pedonal na Ribeira. Como faço uma crónica com esta salgalhada de apontamentos? Vamos lá começar, mas é. Ora bem......

Hugo Silva

#novelas

A primeira novela exibida em Portugal, Gabriela, teve mais de 130 episódios, permanecendo meio ano nos ecrãs. Reza a lenda que a Assembleia da República interrompeu uma sessão para que os parlamentares pudessem seguir o capítulo final. Outras, como Tieta e Sassaricando, ficaram perto dos 200 episódios, marca que Roque Santeiro superou. Nas produções mais recentes, mandam as audiências. Se houver muita gente colada à TV, os canais prolongam o seriado, através daquilo que em linguagem científica se designa por "enchimento de chouriços". Mas todos os recordes estão prestes a ser fulminados pela demanda de um jovem (ou não tão jovem) uruguaio em busca da Luz. Ou vice-versa, a demanda da Luz pelo jovem (ou não tão jovem) uruguaio. Eu continuo colado à espera das cenas dos próximos capítulos. Não sei se a Assembleia não voltará a parar quando se der o epílogo. Temo que haja um confinamento geral voluntário que ponha em causa a economia do país, enquanto os episódios se vão sucedendo. E o pior é que se o jovem (ou não tão jovem) uruguaio não encontrar a Luz, ou a Luz não o encontrar, vamos ter que continuar a acompanhar a sua saga num canal estrangeiro.