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Hugo Silva

#volume

"Olha, sabes quem foi para o hospital? O senhor Pinto! O senhor que costuma estar na papelaria! O senhor Pinto! Conheces! Sabes quem é! O senhor Pinto! Oh! O senhor Pinto! Carro? Que carro?! O senhor Pinto não tem carro! Estás a confundir! Esse é o senhor Silva! É o senhor Pinto! Costuma estar lá sempre! O senhor Pinto!" Há pessoas que deviam nascer com botão de volume. Pessoas que desconhecem que uma das virtudes do telemóvel é poder falar à distância com outras pessoas sem ter de berrar. Mesmo que a rede por vezes esteja fraca, não fica melhor se os decibéis chegarem à estratosfera. E mesmo que isto agora seja uma aldeia global, não é preciso partilhar a conversa com o mundo inteiro. O metro estava em General Torres, mas creio que um passageiro que estava na estação da Póvoa de Varzim desejou as melhoras ao senhor Pinto.

Hugo Silva

#quandoforgrande

O que queres ser quando fores grande meu menino? Bombeiro! E tu? Polícia! E tu? Piloto! E tu, João Cristiano Afonso Ronaldo? Jogador de futebol! E tu? Sonho ser cantor de cantigas de amor... Oh rapaz, tento na língua, vê lá que ainda te metem um processo por plágio. E tu, meu petiz, que brincas com utensílios médicos? Quero ser dono de uma farmacêutica, ganhar uns milhões e fazer rifas para ver quem tem direito a um medicamento que cura doenças graves. Ah! Finalmente um empreendedor! Toma lá dois euros e vai comprar um picolé. Terá sido assim a infância dos administradores da empresa que vai sortear 100 doses do medicamento mais caro do Mundo e que pode curar crianças que sofrem de atrofia muscular espinhal tipo 1? Porque só o facto de não se querer trair os sonhos de menino - e tu cala-te lá com as cantigas de amor! - torna compreensível a infame lotaria internacional anunciada. E o facto do medicamento custar dois milhões de euros. Custa aceitar certas coisas. Como haver rádios, em pleno 2020 (dois mil e vinte), a passar músicas do Michael Bolton sem aviso prévio para os condutores. Ainda falam de prevenção rodoviária. When a man loves a woman...

Hugo Silva

#músicas

Agora que o meu universo musical passa por um senhor Lobo que nunca mais chega ao bosque, um conjunto de indivíduos que são uma taça e diversos utensílios de cozinha, uma pulga teimosa, um bicho maluco, um espantalho trapalhão e um papagaio igualmente trapalhão, entre outras caricadas e toc-tocadas, já sentia saudades de ouvir belíssimos hits natalícios de estrelas universais como Mariah Carey, George Michael (ninguém quer saber quem era o outro tipo dos Wham!) ou o Coro de Santo Amaro de Oeiras.

Hugo Silva

#voluntário

Se eu tivesse um merceeiro voluntário, um talhante voluntário, uma peixeira voluntária, um mecânico voluntário, um barbeiro voluntário, um médico voluntário, um dentista voluntário, uma clínica de exames voluntária, um motorista de autocarro voluntário, um condutor de metro voluntário, um pronto-a-vestir voluntário, uma sapataria voluntária, uma lavandaria voluntária, um fornecedor de gás e eletricidade voluntário, um fornecedor de gasóleo voluntário, um fornecedor de água voluntário e um subsidiozito de, vá lá, uns 50 milhões, também era menino para aventurar-me a organizar uma Hugo Summit.

Hugo Silva

#nomes

Só numa cidade que chama Praça dos Leões à Praça Gomes Teixeira, Praça Velásquez à Praça Francisco Sá Carneiro, Túnel de Ceuta ao Túnel dos Almadas, Rotunda dos Produtos Estrela à Rotunda AEP, Rotunda da Boavista à Praça Mouzinho de Albuquerque, Praça do Cubo à Praça da Ribeira, Rotunda do Castelo do Queijo à Praça Gonçalves Zarco, Arca d'Água à Praça 9 de Abril, Túnel das Flores ao Túnel Goelas de Pau, Jardim da Cordoaria ao Jardim João Chagas, Jardim da Praça da República ao Jardim Teófilo Braga, Jardim do Carregal ao Jardim Carrilho Videira, Avenida da Ponte às avenidas Afonso Henriques e Vímara Peres era possível tanto barulho à volta do nome de um pavilhão. Num processo em que ninguém está isento de culpas - e a trapalhada era mais do que dispensável - resta-me pedir perdão. A Rosa Mota, merecedora de todas as homenagens, que me fez acreditar que até os portugueses conseguem vencer no desporto; e à Super Bock, que me fez acreditar que também eu podia ganhar (embora esta crença desaparecesse no dia a seguir à bebedeira). Peço perdão porque, por mais garrafais que sejam as letras na fachada, a malta continuará a ir ao Palácio. E a mandar o Cristal às urtigas.