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Hugo Silva

#galgaria

Alto e pára o baile! Onde é que o meu amigo pensa que vai a correr? Não quero saber se está com pressa. A autoridade precisa de respostas, vai ter de esperar. Ora então diga lá, essa correria é atividade profissional ou lazer? Nem uma coisa nem outra? Mau, está a desconversar. E peço-lhe que ladre mais devagar. Então não sabe que as corridas de galgos estiveram quase, quase a ser crime? Está bem, foi chumbado, mas temos de manter-nos atentos. E se essa corrida é profissional, pode ter problemas. Mas, diga lá, onde vai com tanta pressa? Evitar um assalto num banco? No banco onde tem conta? Mau Maria... Depois explica-me como é que um cão tem dinheiro para abrir uma conta. Tem a certeza que não é corredor profissional? Adiante. Agora vamos lá ao banco, que há um assalto para impedir. Sabe quem são os suspeitos? O quê? É o próprio banco que está a assaltar clientes? Lá estamos nós a desconversar. O banco quer ficar com dinheiro dos juros que não lhe pertence? Nem sei que lhe diga... Olhe, vá lá, por esta passa. Mas não corra. Apanhe o metro que já passa na ponte. Alguém deve ter acendido uma velinha.

Hugo Silva

#traseiras

Os diretos televisivos dos líderes partidários a votar são as traseiras dos autocarros da política. Passo a explicar: no tempo em que os animais falavam, pelo menos assim me explicou um sábio porco-espinho, ficou estipulado para todo o sempre que, em dia de jogo de futebol minimamente importante, mostrar em direto as traseiras dos autocarros das equipas a circular na estrada revestia-se de incomensurável interesse. "Não é verdade", disse-me o porco-espinho, que também fica eriçado quando vê os diretos de políticos a votar sempre que há eleições. O valor noticioso é idêntico: nenhum. Os políticos chegam, cumprimentam toda a gente, distribuem sorrisos, dizem que estão confiantes e apelam ao voto. Multiplique-se isto por meia dúzia e temos boa parte da manhã "noticiosa" tão interessante como a traseira de um autocarro. Abstenho-me!