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Hugo Silva

#cabeçadas

Sinto que o meu carro anda a tentar matar-me. Já foram quatro - uma, duas, três, quatro! - as vezes em que esmurrei a cabeça na porta da mala em pouco tempo. Abro aquilo, aquilo começa a subir a toda a velocidade mas depois aquilo pára abruptamente. E aquilo fica à espera que eu volte a dar uma valente cabeçada. Bem sei que tenho levado o bicho aos limites da reserva de combustível, mas é que o gasóleo está caro... E explicar-lhe isto? Ainda tentei que ele visse meia dúzia de debates dos candidatos às próximas eleições legislativas para perceber que a vida anda difícil. Mas com tantos pré-comentários, pós-comentários, diretos à porta de edifícios, diretos dentro dos edifícios, declarações à chegada e declarações à saída temi que o rancor do carro para com a minha pessoa se agigantasse. E a máquina passasse da tentativa de homicídio para a sua consumação.

Hugo Silva

#juízo

Fui vacinado e não me transformei num íman de moedas, o meu telemóvel continua com problemas de rede e por mais que procure não encontro o chip. Para que me sujeitei, então, a levar duas picadelas no braço? Vergonha! Pensei recorrer à justiça, mas quem me podia valer está suspenso. E eu não aceito decisões abaixo de um certo nível. Só concebo recorrer a quem está "acima". Pior: ainda ia parar a um tribunal fora de Lisboa! Se o Tribunal Constitucional entende que mudar-se da capital para Coimbra ou outra terra é desprestigiante, também eu não aceito decisões da província. Aliás, por mim acabava-se já com este circo das autárquicas. Eleições, só em Lisboa. Nomeava-se depois um comité de homens bons da urbe-mor do reino e eles escolhiam 307 parolos para o resto dos concelhos. Haja juízo. Ou juízes. O que der mais jeito.