Opinião

#inimputável

Chegando a certa idade, as pessoas passam a gozar de inimputabilidade.

Podem dizer (ou fazer) o que lhes dá na real gana, tudo lhes é desculpado: "Coitado(a), deixa lá, é da idade". Pois bem, sempre me senti 50% cão. Ora, se cada ano canino corresponde a sete anos humanos, cada aniversário meu corresponderá, pelo menos, a três anos e meio de uma pessoa normal. Feitas as contas, e aqui apelei ao meu lado canino, que é bom a matemática, já tenho quase 150 anos. Sendo assim, também sou inimputável. Ninguém pode condenar-me, portanto, pelo uso de vocabulário mais violento quando estou ao volante. Não há sinal mais evidente de que o povo está a desconfinar: segundas filas, estacionamento em tudo o que é sítio, semáforos ignorados, condução a 10 à hora, condução a 200 à hora. Até dá para ter saudades dos transportes públicos. Sendo certo que, afinal, nem parece haver ligação entre surtos de covid e o facto dos transportes andarem cheios. A minha teoria é que os autocarros, metros e comboios andam com tanta gente que nem o vírus lá quer entrar. Uma teoria tão boa como outra qualquer. E inimputável, meus amigos. I-nim-pu-tá-vel. Au, au, au, concorda o meu lado animal.

Jornalista

Outras Notícias