Opinião

#calças

É costume dizer-se que a grandeza e o progresso de uma sociedade podem ser medidos pela forma como os animais são tratados. Balelas. Tretas. O nível de um povo pode - e deve - ser medido pelas calças.

E neste ponto, meus caros, temo pelo futuro. Pensava já ter visto tudo: calças largas, tão largas, que lá caberiam 25 pares de pernas; calças apertadas, tão apertadas, que só de olhar magoa; calças à boca de sino, bainhas desfeitas a arrastar pelo chão; calças descaídas, pelos joelhos, boxers a espreitar sem pudor; jardineiras para adultos! Mas eis que chega a moda das calças pelo tornozelo. Másculos indivíduos, músculos a explodir e... calcinha pelo tornozelo, um pedaço de pele a assomar ali, terra de ninguém, a sapatilha mais abaixo. Em tempos idos, era eu um bonito petiz, e dizia-se de tal preparo que as calças estavam zangadas com os sapatos. Ou que eram calças à regador. Agora é moda. Não aceito. É mais um sinal do fim do Mundo. E é também por isso que continuamos a chamar corridas de touros a uma coisa em que os bichos são massacrados. Fosse uma corrida e os touros estariam alinhados numa pista de tartã para ver qual deles chegava primeiro. Isso sim, seria progresso. Mesmo com calças pelo tornozelo.

Jornalista