Opinião

#esbracejar

Há poucas coisas mais irritantes do que um esbracejador. E dentro da espécie, o esbracejador da passadeira é a pior estirpe. A maioria é de idade avançada e assoma sempre que o condutor chega ao zebrado na estrada.

Se o automobilista não pára, a respetiva progenitora fica com as orelhas a arder e há braços pelo ar a acompanhar os mais rebuscados impropérios. Se pára, eis que o esbracejador multiplica os gestos frenéticos a mandar avançar a viatura. Neste caso, os impropérios são facultativos, embora haja sempre um certo ar de enfado.

Há uns tempos, a PSP tentou ressuscitar, no Porto, a profissão de sinaleiro. Foi sol de pouca dura. Alegou-se que não havia interessados. Custa-me a crer, com um campo de recrutamento tão vasto, tal a quantidade de esbracejadores na estrada. É só oferecer uns apitos. Sobraram alguns dos kits dos incêndios?

*Jornalista