Opinião

#quatropiscas

As pessoas deviam ter quatro piscas. Não para saber se vão virar para a esquerda ou para a direita, isso é com cada um, mas para terem a imunidade que os quatro piscas conferem aos condutores.

E para os demais saberem que ali está alguém que goza dessa imunidade, que está a marimbar-se para os outros e que é pouco de fiar.

Na estrada, já se sabe: estacionou em segunda fila? Em cima de uma passadeira? A impedir uma garagem? A bloquear uma faixa de rodagem? Desde que tenha os quatro piscas... passa-se à frente.

O jeito que fariam à Banca os quatro piscas, tal a quantidade de trapalhadas que ciclicamente vão sendo conhecidas. Sejam bancos maus, bons ou assim-assim. O dinheiro do mexilhão cobre tudo. Pode haver investigações, comissões parlamentares, mas eficazes mesmo eram os quatro piscas. Até para nós, leigos em engenharias financeiras. Podíamos ver ao longe que ali não havia coisa boa.

Parece-me é que, com tanta manobra esquisita, com tanto pisca-pisca, passaríamos a viver num Natal permanente, com luzinhas a apagar e a acender. O que também não deixa de ser verdade. Mesmo sem querer, somos todos obrigados a oferecer umas prendas. E ainda há dias apanhei o Assalto ao arranha-céus a passar na TV.