Opinião

E depois do confinamento?

E depois do confinamento?

Os números dramáticos de doentes internados e em cuidados intensivos, aliados a riscos como as diversas mutações do novo coronavírus, não permitem margem para dúvidas quanto à necessidade de mantermos total rigor no confinamento.

Essa evidência não pode, contudo, servir de desculpa para falhar na preparação do que é preciso fazer a seguir. Se por agora a receita é inequívoca, mais discutível será adiar indefinidamente a reabertura das escolas. E pior ainda instalar-se o discurso fatalista de que não há alternativa ao confinamento.

Apesar das dissonâncias na última reunião de especialistas do Infarmed, em que se ouviu desfiar uma multiplicidade de critérios para balizar o alívio de medidas, até do mais crítico dos oradores, Manuel Carmo Gomes, ouvimos com clareza a receita obrigatória quando quisermos recuperar alguma atividade: testar, testar, testar. Aliás, a afirmação feita com todas as letras foi de que "a testagem é a arma principal que devemos usar e não o confinamento".

A Direção-Geral da Saúde deu um passo, ao alterar os critérios para testar contactos de risco, ao mesmo tempo que se analisa a possibilidade de despiste gratuito sem receita. Mas bastou o número de infeções diminuir para também a testagem cair 27% numa semana. É essencial prever planos alargados de testagem em escolas e outros serviços essenciais, mantendo igualmente recursos adequados no rastreio de contactos.

Mesmo que não seja revelado, o Governo não pode deixar de ter um plano desenhado para as várias fases de desconfinamento. Avaliando não apenas critérios sanitários, mas os vários perigos e desvantagens em cada prato da balança.

A esta missão de preparar o terreno para não nos manter indefinidamente enclausurados, com os tremendos custos sociais, económicos e até sanitários que essa opção representa, o Governo soma uma segunda tarefa prioritária. Delinear respostas sociais sérias para quem mais está a perder com o confinamento. Porque as medidas restritivas são obrigatórias, mas alguns dos elevados custos sociais são evitáveis. E os indicadores orçamentais que vamos conhecendo mostram que há margem para fazer mais.

Diretora do "Jornal de Notícias"

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