Opinião

Fronteiras entreabertas

Fronteiras entreabertas

As portas fecharam-se com estrondo. Reabri-las será claramente mais difícil. A um mês do verão, ninguém consegue antever o que será a Europa em tempo de férias.

E o preço da desarticulação de medidas começa a pesar mais à medida que se anunciam decisões unilaterais de reabertura ou, em sentido contrário, de manutenção de restrições à circulação, seja por via de controlos fronteiriços ou de quarentenas com igual efeito dissuasor.

Depois de um anúncio promissor para os emigrantes, arrancado por via diplomática com a garantia de Macron de que não irá impor quarentena aos portugueses que venham de férias, o Governo recebeu a má notícia de que o Reino Unido irá impor essa medida a quem chegar de viagem. O que se adivinha desastroso para o turismo nacional, já que o mercado britânico representa uma em cada cinco dormidas na hotelaria.

Entalado no paradoxo de se ver diariamente obrigado a chamar para a rua um país com ordem de recolhimento, o primeiro-ministro enfrenta uma missão impossível. Tenta dar confiança a metade da população que continua a evitar mexer-se, ao mesmo tempo que a nível europeu procura soluções para que os estrangeiros não deixem de viajar para Portugal.

A par da reanimação da economia, António Costa e os parceiros terão de discutir estratégias para quando os números voltarem a subir. A Suécia é a prova de que nenhum estado escapa aos efeitos da paragem económica, mesmo que arrisque uma estratégia diferente. Além do elevado número de vítimas mortais, falhou a pretendida imunidade de grupo e tem a mesma fatura para pagar: a previsão de queda na economia é de 7%, fruto do impacto do fecho de fronteiras no comércio externo.

Apesar das derrotas, a Suécia é apontada por diversos especialistas como experiência inevitável para outros países no futuro. Depois de confinar, é difícil sair do confinamento. E a grande inquietação dos governos um pouco por todo o Mundo é exatamente essa. Se a ciência não nos ajudar rapidamente, ainda ninguém descobriu uma alternativa que nos salve da paralisia.

*Diretora-adjunta

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