Opinião

Generosidade pré-eleitoral

Generosidade pré-eleitoral

De repente, percebemos que as maternidades do país estão presas por fios. Enquanto os fechos afetavam hospitais do interior, poderia sempre argumentar-se com a dificuldade em atrair médicos para essas regiões. Mas sabe-se agora que Lisboa e Porto têm o mesmo problema. E não foi preciso escavar muito para se perceber que as carências se arrastam pelo menos desde o verão passado e são generalizadas.

Num país de baixa natalidade, é essencial não apenas assegurar capacidade de resposta, mas transmitir total confiança às populações. É preciso ser e parecer, porque de ambas é feita a relação dos cidadãos com os serviços públicos. Ao longo da legislatura, fomos tendo sinais de desinvestimento e de erosão do Serviço Nacional de Saúde, mas a doença poderá, afinal, ser mais grave do que os sintomas iniciais indiciavam.

Em contagem decrescente para as legislativas, o PCP e o Bloco de Esquerda reagiram de imediato e chamaram responsáveis técnicos e políticos ao Parlamento. É bom lembrar, contudo, que os orçamentos do Estado dos últimos anos tiveram a sua aprovação. E que, mais do que um finca-pé a favor ou contra as PPP na saúde, a prioridade política deverá ser assegurar a sustentabilidade e eficácia dos hospitais públicos.

Valha-nos, numa altura em que há cada vez menos motivos para confiar na saúde do sistema, a generosidade típica dos períodos pré-eleitorais. Do PS já tivemos a promessa de aumentos na Função Pública, aumento de abonos e complemento solidário para idosos, recetividade a aumento das bolsas no Ensino Superior. Com tanto para distribuir, de certeza que sobram uns euros para repensar as contratações e valorizar a dedicação dos profissionais de saúde ao setor público.

Ou não, e está na altura de nos batermos incansavelmente pela defesa de uma das principais conquistas do Portugal democrático.