Opinião

Colocações à medida

Colocações à medida

São só boas notícias. O número de professores contratados este ano aumentou cerca de 40% e a larga maioria consegue horários anuais e completos. Melhor ainda, pela primeira vez foram colocados a um mês de aulas, uma rapidez inédita que lhes permitirá, por exemplo, participar em todas as reuniões de preparação do ano letivo. Será mais fácil tapar a tempo buracos que persistam nos horários e é possível iniciar as aulas sem sobressaltos.

A pergunta é inevitável. Há tanto tempo reivindicada, por que razão só este ano, em semana de crise energética e a um mês do arranque da campanha eleitoral, foi possível esta antecipação? Poderá tratar-se de uma mera coincidência. Uma daquelas felizes para o Governo socialista, em que as dúvidas só poderão ser desfeitas dentro de um ano. Agora que todos percebemos que é possível fazer as colocações no calendário ideal, será mais difícil justificar atrasos e trapalhadas futuras. E estaremos todos curiosos por perceber o que vai acontecer no próximo concurso.

Até lá, apesar do clima nesta fase apaziguado, é certo que o próximo Governo terá de lidar com o problema pendente da contagem do tempo de serviço, adiado mas não resolvido. O braço-de-ferro, que se tornou uma das principais dores de cabeça para António Costa, acabou ainda assim por não impedir o ministro da Educação de chegar ao final da legislatura. Não apenas firme no cargo, mas a mostrar trunfos.

Políticas e leituras à parte, por agora ganham os professores, sem a pressão de anos anteriores em que se viram obrigados a procurar casa e instalar-se no espaço de um fim de semana. E ganham, em dominó, os alunos. Professores desmotivados e arranques de ano letivo atabalhoados têm efeitos inevitáveis na qualidade do ensino. Esperemos que o milagre no calendário seja para manter, quando deixar de haver eleições à vista.

*Diretora-adjunta