Opinião

Mudar ou morrer

À exceção de meia dúzia de pessoas que, ao estilo Trump, recusam as evidências apontadas pela ciência, não será difícil o consenso perante a questão sobre se o futuro do planeta suscita preocupação.

Sim, estamos todos preocupados. Vemos diariamente sinais dos estragos causados pela poluição e indicadores do aquecimento global. Na atmosfera e nos solos, que desde a segunda metade do século XIX aqueceram 1,53 oC.

Mas uma coisa é estarmos preocupados, outra sermos sinceros quando confrontados com a segunda questão a que a primeira conduz. E estamos dispostos a mudar de vida? Bom, deitar fora uns plásticos ainda vá, mas deixar de ter carro, mudar a alimentação, reduzir a quantidade de coisas que compramos, avaliar radicalmente a nossa pegada ecológica, isso é outra conversa.

Todo o nosso investimento em ciência e tecnologia foi no sentido de ganharmos uma vida cada vez mais confortável. Movemo-nos mais depressa, temos utensílios que eliminaram tarefas manuais exigentes, aprendemos a controlar o frio e o calor, criámos dispositivos para reparar órgãos do corpo com falhas, ambicionamos continuar a aumentar a esperança média de vida e até sonhar com a imortalidade.

Paradoxalmente, esse estilo de vida focado no bem-estar (físico, porque uma crónica não chegaria para problematizar o conceito num sentido global) contribuiu para a destruição da casa em que vivemos e criou-nos novos problemas de saúde. O consumo de carne quase duplicou desde 1961, com a prevalência do excesso de peso a seguir a tendência.

O alerta do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, mais um, mostra a urgência de uma mudança total na forma de vivermos e comermos. Como as decisões individuais são lentas, é preciso que os governos tomem medidas, incluindo refletir os custos ambientais e de bem-estar animal no preço da carne. Ou mudamos, ou é o futuro da Humanidade que está em causa. A escolha é, afinal, bastante simples.

* DIRETORA-ADJUNTA