Opinião

Quanto vale uma vida?

Pergunte-se à mulher de Rui Lucas, que viajou para o Sri Lanka em lua de mel e voltou sozinha. Cada vida é única e inviolável, certo, mas o que responder quando é tão nossa? A proximidade altera a escala das coisas e obriga-nos a olhar de frente a falta de sentido delas.

São frequentes as discussões sobre a atenção que os média dão aos diferentes atentados pelo Mundo. Ressoam mais quando ocorrem na Europa, mas é no mundo islâmico que todos os anos se registam mais mortes. Vítimas de extremismos religiosos, conflitos étnicos, guerrilha política. Causas complexas e múltiplas, que por vezes tentamos simplificar à luz da nossa própria perspetiva.

As oito explosões em hotéis e igrejas causaram pelo menos 207 mortos. Rui Lucas é o nosso rosto de uma matança ditada pelo extremismo e fundamentalismo. E não faz sentido apontar o dedo a nenhuma religião. O islamismo ou o cristianismo não matam. Só o fanatismo cego.

"Tínhamos perdido o medo do terrorismo", desabafava ontem um empresário em Colombo. A recente sensação de paz foi abalada pela gigantesca dimensão da violência. A morte convoca o medo. O medo desagua frequentemente em intolerância.

Esse é o inimigo que é preciso combater, seja em que geografia for. Não dar tréguas ao combate contra a xenofobia e a intolerância, porque o risco não são os outros. É a forma como os olhamos e os valores que defendemos. Aqui, tão longe do Sri Lanka, assistimos em muitos momentos à tentação de criar muros e de excluir as diferenças raciais e religiosas.

A liberdade de pensamento, de credo e de ideologia só é possível quando largamos o espelho para olhar de frente o outro. Na semana em que se celebra Abril, é no valor inigualável da vida e da diversidade humana que vale a pena pensar.

*Diretora-adjunta

Imobusiness