Opinião

Matemática 1 - 0 Cidadania

Matemática 1 - 0 Cidadania

Com subidas mais bruscas ou ligeiras como foi a do último ano letivo, a criminalidade registada nas escolas de todo o país tem vindo a crescer há três anos. A GNR e a PSP aumentaram o número de alunos abrangidos pelo programa Escola Segura, mas em contrapartida diminuíram as ações de sensibilização realizadas. A segurança nas escolas é, contudo, muito mais do que um caso de polícia. E é a pais, dirigentes escolares e responsáveis do Ministério da Educação que estes dados devem, antes de mais, preocupar.

Na medida em que reflete a sociedade, a escola tende a acompanhar as variações na violência e os números globais da criminalidade. Estão, além disso, identificados fatores de risco que contribuem para a violência juvenil, como o insucesso escolar e o contexto socioeconómico familiar. Mas as causas da violência são múltiplas e densas. E a escola não é de todo um espaço neutro. Tem um papel transformador, que pode e deve promover a inserção.

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Ensinar e qualificar os alunos é uma das principais missões da escola e é natural que a avaliação do trabalho desenvolvido passe pelas classificações e resultados obtidos. Mas está longe de se esgotar aí. Uma escola de qualidade promove muitas outras competências que os rankings não medem. Desenvolve as relações entre pares, aprofunda as capacidades de participação cívica, combate a desigualdade e proporciona uma equidade de acesso que a todos dê as mesmas oportunidades.

Tendemos a olhar para as estatísticas de criminalidade exigindo mais policiamento e penas mais restritivas. E sempre que há um caso mediático que nos choca pela sua brutalidade, apontamos o dedo às instituições. Há sempre algo que falhou na capacidade de responder às situações de risco. Esquecemo-nos que as causas sociais são sempre complexas e por isso mais profundas do que a espuma dos fenómenos.

Nada é tão cheio de potencialidades como a educação. Não apenas pelo que se ensina dentro da sala de aula, mas por tudo o mais que um sistema de ensino deve ser. Atividades extracurriculares, desporto escolar, clubes de expressão dramática e musical, projetos de cidadania, tantas ofertas que viram nos últimos anos as verbas limitadas não constam das metas obrigatórias, mas promovem a inclusão e a valorização das diferentes competências dos alunos. Ter uma escola pública que consiga estar atenta a todos, dotada de psicólogos e técnicos multidisciplinares, custa dinheiro. Mas compensa mais do que focar as políticas exclusivamente nas avaliações.

*SUBDIRETORA

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