Opinião

O Mundo não é a preto e branco

O Mundo não é a preto e branco

A história às vezes pesa sobre os ombros e ajuda a explicar alguns traços que nos moldam e condicionam coletivamente. Traços como a nostalgia, a tendência para a bipolaridade, a relação mal resolvida com os pecados do colonialismo.

Séculos de viagens, desencontros e exploração que, por mais que os queiramos expiar na modernidade, ainda espreitam em gestos e atitudes sem tempo. Não é senso comum, há estudos, processos criminais e vítimas que o comprovam: o racismo existe e manifesta-se na habitação, no emprego, na educação, no anedotário.

Temos problemas de integração que atiram os imigrantes para as periferias mais degradadas. Famílias em condições desumanas como as que se veem no Bairro da Jamaica. Atitudes reativas de parte a parte. Polícias que abusam da farda e entram a doer nalguns bairros. E quem use a cor da pele para gritar "racismo" quando há razões para isso e quando não há.

As generalizações são perigosas em todos os campos. Não são perigosas na extrema-direita e admissíveis à esquerda. Ou vice-versa. Uma atuação abusiva da Polícia tem de ser castigada, mas momento nenhum autoriza um discurso simplificador contra as autoridades. Há uma tentação perversa de gritar contra as fardas como se sem elas pudéssemos ser mais livres. Estranha visão das forças de segurança e dos valores que nos estruturam enquanto comunidade.

Há muito a fazer para que todos sejamos iguais em oportunidades, direitos e responsabilidades. E respeitados nas diferenças, num caminho que tem sempre dois sentidos. Mas não é pelo barulho que crescemos. Nem a invocar a cor da pele ou o currículo para argumentar uma espécie de superioridade moral no discurso sobre tolerância. Não é seguramente com visões maniqueístas que chegamos lá. Porque o Mundo, felizmente, não é a preto e branco.

Diretora-adjunta