Opinião

Os políticos não são todos iguais

Os políticos não são todos iguais

Não há fórmulas mágicas para dizer o que parece óbvio, e sobretudo para fazer passar mensagens repetidas à exaustão. Nos últimos dias multiplicaram-se os apelos ao voto e os alertas quanto ao risco de desvalorização da própria democracia, se a deixarmos mergulhar em níveis históricos de abstenção que ameaçam deslegitimar as escolhas.

E, no entanto, por muito que não traga novidade ou soe pouco sexy, a mensagem da importância do voto e da participação é essencial. Tanto, que merece o risco da repetição.

Dois fatores novos tornam ainda mais relevante não desperdiçar um direito que é um dever. Por um lado, a gestão da pandemia revela com uma evidência cristalina o papel essencial de quem ocupa lugares de decisão. Por outro, se há algo que esta campanha demonstrou é que o populismo tem espaço, germina e obriga-nos a discutir que modelo de vida em sociedade queremos construir.

É fácil confundirmos o direito à crítica, e o facto de quem decide estar exposto ao erro, com a consideração demagógica e perigosa de que os políticos são todos iguais. Não são e as nossas escolhas determinam verdadeiramente o rumo que queremos para as lideranças nas diferentes esferas da vida pública. Há vícios e dificuldades sistémicas que não se mudam ou influenciam com facilidade. Mas há um escrutínio e uma palavra inequívoca que é dita cada vez que vamos às urnas.

Depois da romantização inicial da pandemia, os duros meses que temos atravessado, e que atingem agora uma prova duríssima, confrontaram-nos com o risco de agravamento das desigualdades, de enfraquecimento da economia, de adormecimento da nossa interpretação dos direitos e das responsabilidades de vivermos em comum. A política nunca poderá deixar de ser isso: a escolha do caminho que melhor serve o modo de sermos comunidade. Se desistirmos de fazer parte desse caminho, estaremos a demitir-nos da ambição de sermos, nós próprios, decentes e maiores.

Diretora

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