Opinião

Para além das lágrimas

Para além das lágrimas

Todos os dias, minuto a minuto, há milhares de profissionais ligados à emergência e socorro que não dormem. Que prolongam turnos, palmilham quilómetros, enfrentam os mais difíceis obstáculos para dar resposta a quem precisa deles.

Das equipas médicas às forças de segurança, dos bombeiros às Forças Armadas, são muitas as estruturas e equipas de que o país precisa. E em quem a população confia, por estarem sempre lá.

A fita do tempo na tragédia com o helicóptero do INEM revela espaços em branco por explicar e muitas acusações e contradições por parte das diversas entidades envolvidas nas operações. Dúvidas que as investigações já desencadeadas vão esclarecer, apurando-se todas as responsabilidades e eventuais correções a fazer no sistema. É no âmbito do inquérito, e não em guerras barulhentas na praça pública, que se apontam erros e se tiram conclusões.

O país tem vivido tragédias que remetem para falhas do Estado na proteção de pessoas e bens e dão motivos para reforçar o investimento e reformar a orgânica da Proteção Civil. As mudanças em curso têm causado mais ruído do que confiança, quando se exige precisamente o contrário. Saúde e emergência são áreas intocáveis e em que não pode haver qualquer desconfiança quanto à capacidade e qualidade da resposta.

Os quatro profissionais que morreram em Valongo, quando acabavam de entregar em segurança mais um doente urgente, não merecem apenas a homenagem sentida do organismo público e da sociedade que serviram. Merecem que as causas e circunstâncias do socorro sejam plenamente esclarecidas. E todos os que trabalham em emergências merecem mais serenidade e uma intervenção mais responsável de quem os tutela.

Diretora-adjunta

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